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Aclamado livro “Irmã outsider” da ativista Audre Lorde é lançado no Brasil

A obra, com reflexões sobre lesbianidade, negritude, racismo, machismo e imperialismo, é a primeira da autora norte-americana a ser lançada oficialmente no país

19 de dezembro de 2019

“A opressão de mulheres não conhece limites étnicos ou raciais, é verdade, mas isso não significa que ela seja idêntica diante dessas diferenças. As fontes de nossos poderes ancestrais também não conhecem esses limites. Lidar com umas sem sequer mencionar as outras é deturpar tanto o que temos em comum quanto as nossas diferenças. Porque para além da irmandade ainda existe o racismo.”

O trecho acima integra a “Carta aberta a Mary Daly”, um dos 15 ensaios reunidos em “Irmã outsider”, considerada a obra mais importante da ativista, escritora e poeta norte-americana Audre Lorde.

O livro lançado no Brasil em dezembro, após 35 anos de sua publicação original nos Estados Unidos, é o primeiro da autora a ser lançado oficialmente no país. Até então seus textos só haviam sido citados em coletâneas e teses de pesquisadores brasileiros. A tradução para o português é de Stephanie Borges e a apresentação foi assinada por Djamila Ribeiro.

Com reflexões sobre lesbianidade, negritude, racismo, machismo e imperialismo, entre outros assuntos, “Irmã outsider” exerceu influência no desenvolvimento de teorias feministas contemporâneas a partir de um pensamento fora da chamada norma mítica, branca, magra e heterossexual.

Negra, lésbica e ativista, Audre Lorde traz, de forma crítica e ao mesmo tempo lírica, o olhar da outsider, deslocado e capaz de analisar a necessidade de ações para transformar a sociedade por meio do reconhecimento de alianças que unem forças contra estruturas desumanizadoras como a do racismo e a do machismo.

O livro faz parte da coleção “éFe”, da editora Autêntica, dedicada à publicação de títulos de autoras feministas de diferentes vertentes e que não tiveram grande destaque no Brasil. A coleção propõe o debate sobre o feminismo para um público amplo em vez de apenas especialistas e estudiosos do tema. Obras dos mais variados gêneros estão programadas para lançamento na coleção, desde coletâneas de ensaios a textos literários.

Os ensaios de “Irmã outsider”

Endereçada à autora de “Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism”, em maio de 1979, a “Carta aberta a Mary Daly” traz uma das ideias centrais da obra de Audre Lorde, a interseccionalidade. A autora foi uma das primeiras feministas a discutir o tema levando em consideração o racismo, a luta de classes e a hierarquização por sexo ao tratar da opressão sofrida pelas mulheres. O debate central é a histórica incapacidade de escuta e de diálogo das mulheres brancas em relação às negras.

Em “O filho homem: reflexões de uma lésbica negra e feminista”, Audre Lorde aborda sua experiência com Jonathan, o filho caçula de 14 anos. Lorde afirma que os filhos são a vanguarda de um reinado de mulheres que ainda não foi estabelecido e discute as dificuldades da educação voltada para homens, visto que os filhos de lésbicas precisariam criar as próprias definições de quem são, diferentemente das filhas, que têm em quem se espelhar.

No texto “As ferramentas do senhor nunca vão derrubar a casa-grande”, a autora questiona sua participação na única mesa-redonda da conferência do Instituto de Humanidades da Universidade de Nova York. A discussão era sobre questões das mulheres negras e lésbicas.

Audre Lorde

Filha de imigrantes caribenhos e nascida em 1934, em Nova York, Audre Geraldine Lorde se define como “preta, lésbica, mãe, guerreira, poeta”. Na década de 1960, suas obras foram publicadas em várias antologias estrangeiras e em revistas literárias negras.

Diagnosticada com câncer, Lorde narrou suas lutas em sua primeira coletânea em prosa, “The Cancer Journals”, vencedora do prêmio Gay Caucus de livro, em 1981. Em uma cerimônia de nomeação africana, antes de sua morte, Lorde recebeu o nome de Gambda Adisa, que significa “guerreira: ela que faz sua significância conhecida”. Morreu em 1992, aos 58 anos.

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