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1º Festival de Juventudes nas Cidades promove inclusão econômica e formação política

Promovido pela Oxfam Brasil, edição pioneira conta com curadoria de entidades como Afrolatinas, ONGs Crioula e Fase e é direcionada a jovens do Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federação; gratuito e on-line, evento acontece nesta sexta-feira (14) e sábado (15); 

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Fernando Frazão / Agência Brasil

Direito à cidade e inclusão econômica são temas do 1º Festival de Juventudes nas Cidades

13 de maio de 2021

Direito à cidade, maior incidência política e inclusão econômica para a juventude negra. Esse é o lema do projeto Juventudes nas Cidades que realiza seu 1º festival com 24 atrações, das artes e da cultura, que serão apresentadas por jovens do Distrito Federal, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Gratuito e aberto ao público em geral, a iniciativa acontece nesta sexta-feira (14) e sábado (15), em formato on-line. As incrições são gratuitas. 

O evento, que conta com a curadoria do  Instituto Afrolatinas, uma organização de mulheres negras, que desenvolve ações transversais, a partir do lugar das artes, da cultura e da educomunicação, é uma iniciativa da Oxfam Brasil. A organização prevê dar oportunidade e prestigiar jovens artistas periféricos que, além de seus talentos, têm coragem de seguir fazendo arte em contexto de crise sanitária. Instituições como Ação Educativa, Criola, Fase, Ibase, Inesc e Pólis estão como apoiadores dessa ideia. 
“O festival tem o intuito de servir como uma espécie de vitrine para os jovens que estão em periferias, que são artistas e que produzem de diferentes formas, mas que, nesse momento, sofrem ainda mais pela impossibilidade de apresentar em outros espaços e desenvolver mais essas expressões, por serem tão jovens. A ideia é apresentar para a sociedade como um todo e mostrar que, junto com essa arte, vem luta e um ativismo coletivo”, explica a Coordenadora de Programas da Oxfam Brasil, Tauá Lourenço Pires.

A pernambucana Tayná Maisa, 26, que atua como empreendedora, cozinheira, confeiteira  e produtora cultural, integrará a programação na oficina “Pão de Mel para Revenda”. A jovem está na contramão das estatísticas participando da construção de ações políticas afirmativas dentro de seu território natal, a cidade do Recife, e em outros campos políticos sociais há mais de seis anos. 

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Idealizadora do “Picalé”, produto que ganhou popularidade nacional, Tayná, que mora na Zona Oeste do Recife, afirma que o 1º Festival de Juventude nas Cidades surge como uma grande conquista para jovens pretos e periféricos por viabilizar novos horizontes. “A iniciativa aparece para nós como uma ferramenta onde o jovem consegue mostrar o seu corpo, o seu mundo, suas transformações e como nós nos reinventamos dentro do processo de crise sanitária. Uma forma de mostrar que, apesar do cenário político atual, a gente consegue ressignificar nossas dores e lidar com as desigualdades sociais”, pontua. 

A jovem ressalta ainda que a ação não impacta só nos dias atuais, mas, também, no desenvolvimento de habilidades que podem preparar a geração atual para o mercado de trabalho em um futuro breve. “Como consequência dos acessos na juventude, chegar ao mercado de trabalho, enquanto adultos, gera um impacto para essa geração por muitos de nós não conseguirem vagas. Por isso, acredito que projetos como esse nos dão a oportunidade de sermos reconhecidos, mostrarmos o nosso trabalho e reafirmamos que formamos uma geração responsável, que consegue se fortalecer em diferentes contextos”, finaliza. 

Além de palestras, o Festival Juventudes na Cidade é composto por exibição de documentários, apresentações musicais e rodas de diálogo, em uma programação extensa que surge como um meio de apresentar possibilidade de renda para jovens que, além dos desafios diários para sobreviverem em condições de vulnerabilidade, enfrentam desafios maiores diante da falta de perspectivas de melhora contra a COVID-19.

Tauá Lourenço chama a atenção para as dificuldades enfrentadas pelo setor da cultura. “Quem trabalha com arte e cultura no Brasil está sem perspectiva de quando vai poder se apresentar para o público. Experimentar um formato diferente, numa platafomra de Festival, pode possibilizar uma experiencia de arte e construir outras formas de apresentar essa arte para um público amplo”, observa ela ressaltando o impacto positivo na autoestima dos jovens. “É muito difícil para essa juventude se visualizar em um contexto tão adverso como é o nosso nosso por conta do racismo, que foi intensificado com a pandemia. O festival oferece uma possibilidade desses jovens se autoafirmarem a partir da arte” A programação completa e as informações necessárias para inscrição estão disponíveis através do link

 

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