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Documentário sobre o samba em São Paulo estreia no domingo

24 de outubro de 2019

O filme “Na Disciplina: Samba e Cidadania” fala sobre a importância das rodas de samba como articulação política e cultural na periferia

Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges | Imagem / Acervo Pessoal

No próximo domingo, dia 27, estreia o documentário “Na Disciplina: Samba e Cidadania”. O média-metragem mergulha na história do grupo musical “Pagode Na Disciplina”, que mensalmente ocupa a rua para a tradicional roda de samba.

O filme também fala sobre a expressão cultural, política e de cidadania do samba, além de abordar a liderança das mulheres para que tudo aconteça.

Segundo a diretora Semayat Oliveira, na ausência de equipamentos públicos de cultura, a rua se tornou o espaço de convivência e lazer possível.

“O samba nasceu como ferramenta de resistência e existência da população negra no Brasil. É uma das trilhas sonoras que embalam as periferias de São Paulo”, defende.

O roteiro da produção buscou ressaltar a importância cultural das favelas como contraponto ao racismo e ao empobrecimento dos territórios. O distrito de Cidade Ademar abriga mais de 436 mil pessoas, a sexta com maior população negra na capital paulista, segundo a organização São Paulo Diverso.

O trabalho coletivo da equipe, formada por profissionais da periferia paulistana e negros, foi um dos pontos marcantes para a diretora.

“A junção de profissionais que trabalham com audiovisual, de alguma forma, mas nunca tinham trabalhado juntos foi muito bom”, destaca. O convite partiu da produtora executiva da roda de samba, Luana Vieira.

“Eu morei 30 anos na Cidade Ademar [zona sul de SP]. A gente começou a trabalhar junto com uma sinergia bonita e muita paixão. A possibilidade de encontrar um edital voltado à periferia, construído por pessoas que moram por lá, sobre temas importantes para essa população é muito expressivo”, comenta Semayat.

Desde a infância, Semayat teve contato com o samba. Seu tio era responsável por uma roda. Em casa, seus pais sempre foram ouvintes de samba e pagode.

“A ligação das famílias pretas com o samba acontece desde pequeno, como transmissão de conhecimento, vínculo familiar, e semente que faz grandes coisas acontecerem e une milhares de pessoas. Tem a ver com a nossa resistência.”, comenta.

Em um dos encontros da ativista norte-americana, Angela Davis com o público, em sua recente visita a São Paulo, Semayat relembra que escritora afirmou que os negros sempre entregaram beleza e arte ao mundo.

Parafraseando Davis, a diretora acredita que ‘o samba é um exemplo dessa entrega’. “Para mim, o samba é a forma de entregar beleza e arte, mesmo diante de tanta escassez. É o manifesto da vida preta”, vislumbra.

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Moradora da Cidade Ademar, Luana Vieira é a produtora executiva da roda de samba. (Foto: Acervo Pessoal)

As mulheres

Da equipe de cinco pessoas, quatro são mulheres negras. No filme, também é possível perceber o protagonismo feminino, um dos objetivos pensados pela diretora.

“A possibilidade de falar no samba da perspectiva das mulheres é o grande acontecimento. No samba, o papel delas não é algo isolado do ‘Na Disciplina’”, pontua.

Ela ainda completa que as mulheres são sambistas, produtoras e organizadoras das rodas de samba e que o filme marca como essa estratégia é ancestral. “Essa é a coisa importante e bonita do documentário”, salienta.

Para manter a tradição, a primeira exibição acontecerá no último domingo do mês, mesmo dia em que a roda acontece. A ideia foi contemplada por um edital de fomento à produção audiovisual na região liderado pelo Coletivo Mascate Cineclube, iniciativa local que luta pela democratização do cinema e cultura no bairro.

Serviço:

Lançamento do documentário “Na Disciplina: Samba e Cidadania”

Data: 27 de outubro, domingo

Horário: Samba a partir das 15h e exibição do filme às 18h

Local: Pagode Na Disciplina | Rua Oldegard Olsen Sapucaia, 168 – Cidade Ademar, São Paulo.

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