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Evento cultural ressalta a identidade negra brasileira

Atividade contou com a presença do Alma Preta para a discutir “o que é ser negro no Brasil?”

6 de outubro de 2015

Texto: Pedro Borges

Durante todo o domingo (4/10), aconteceu em Bauru-SP na estação ferroviária da cidade o evento cultural Somos Todos Nagôs. Com a entrada franca, as pessoas puderam acompanhar a apresentação de diferentes grupos artísticos e culturais da cidade. Desde oficina de maquiagem para a pele negra, exposições de quadros e shows como do grupo Balaio de Sinhá, o público também participou do debate promovido pelo Alma Preta sobre “o que é ser negro no Brasil?” e qual a importância da imprensa negra e da políticas de cotas para a superação do racismo.

Os membros do portal de mídia negra expuseram o histórico racista do Estado a partir da adoção de políticas que tinham o objetivo de embranquecer a população brasileira. Entre elas, destaque para o incentivo à imigração europeia e à manutenção de negras e negros na base da pirâmide social. Como forma de enfrentar o racismo e qualificar o povo negro, o Alma Preta enfatizou a importância da mídia negra e da política de cotas como ferramentas de superação de ambos os problemas. Greice Luiz, jornalista e organizadora do evento, pensa que o debate “foi perfeito porque fez as pessoas refletirem e deu a oportunidade dos participantes divulgarem as suas ideias, tendo a oportunidade de falar o que ” ninguém” tem o interesse de ouvir!”.

A programação completa do Somos Todos Nagôs contou com mais de 20 atrações diferentes. Greice relata que primeiro apresentou o projeto ao Conselho da Comunidade Negra da cidade e à Secretaria de Cultura de Bauru. O apoio do poder público não foi suficiente para resolver todas as demandas, porque os problemas foram vários. De acordo com a jornalista, “arrumar patrocínio é complicado porque as pessoas não acreditam na necessidade de realizar movimentos afirmativos!”.

Carol Ferreira, também jornalista e organizadora do Somos Todos Nagôs, apesar das dificuldades, ressalta a importância do evento. Ela pensa “a informação é o primeiro passo para acabar com o preconceito. Mostrar para as meninas como o cabelo afro é lindo e, principalmente, ensiná-las a cuidar; ou participar de um debate sobre “O que é ser negro no Brasil” é o primeiro passo para a busca de uma sociedade mais humana”.

Todas as atividades contaram com a presença de crianças e adolescentes. Daniela Rodrigues, estudante da UNESP e integrante do projeto Voz do Nicéia, diz que a maior parte da população do bairro é negra e que as crianças da região tiveram a oportunidade de ver a cultura negra retrata de um modo positivo. Para ela, “foi uma boa oportunidade de desmistificar alguns preconceitos em relação às religiões africanas e à luta do povo negro durante a escravidão, por exemplo, e o mais legal é que tudo isso foi feito por pessoas negras”.

A presença do público e o retorno positivo de todos que compareceram incentivaram as organizadoras a pensar na próxima edição do evento. Greice planeja a segunda edição do Somos Todos Nagôs para maio de 2016, e prevê um encontro maior e mais completo. “Na próxima quero fazer em dois dias, com mais atividades que enriqueçam a vida das pessoas”.

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