Pesquisar
Close this search box.
Pesquisar
Close this search box.

125 milhões de brasileiros acreditam que há desigualdades raciais no país

Segundo percepção populacional, pessoas negras sofrem racismo em locais diferentes de acordo com a região do Brasil; confira os dados

Imagem mostra um homem negro, com as mãos tapando o rosto.

Foto: Imagem: DepositPhotos

18 de agosto de 2022

Para mais de 125 milhões de brasileiros (cerca de 75% da população com mais de 16 anos), as desigualdades e diferenças no tratamento entre pessoas negras e brancas são expressivas no país, principalmente em estabelecimentos comerciais, ambientes escolares e no trabalho.

É o que diz o Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) em recente pesquisa intitulada “Desigualdades”. Com sondagem nacional, o mapeamento buscou levantar a percepção da população brasileira sobre as múltiplas desigualdades presentes no país.

Os recortes contemplados pela insituição incluem: a necessidade de desenvolver atividades extras para complemento de renda, a percepção sobre pessoas em situação de fome e pobreza, as situações de preconceito e o acesso a serviços digitais.

Percepção sobre o racismo

No Nordeste – região em que o racismo é mais evidente, de acordo com o estudo – a violência racial é mais frequente em hospitais e postos de saúde. Já no Norte e Centro-Oeste, o preconceito é mais percebido na rua e espaços públicos de convivência.

No Sudeste, os shoppings e estabelecimentos comerciais lideram os locais com mais situações de diferença no tratamento étnico-racial. Já o Sul do país observa um tratamento mais desigual em situações de trabalho, como em processos seletivos, mas percebe menos as situações de preconceito quanto a raça/cor, orientação sexual ou identidade de gênero.

“De forma geral, a situação de vulnerabilidade das minorias sociais é maior nos espaços públicos, onde estão mais expostos a agressões verbais e físicas. Além disso, situações em que existe uma hierarquia, como situações de trabalho, também permitem um abuso de autoridade sobre essas pessoas”, enfatiza Jorge Abrahão, diretor do Instituto Cidades Sustentáveis.

Gênero e orientação sexual

As situações de preconceito ainda acontecem em relação à orientação sexual e ao gênero. De forma que, três em cada cinco brasileiros já sofreram ou viram alguém sofrer preconceito por tais motivos. Dentro desse espectro, 47% das mulheres declararam já ter sofrido assédio, principalmente na rua ou nos transportes públicos.

Os dados da pesquisa revelam que a população brasileira consegue perceber o aumento da pobreza no país, além de observar uma grande vulnerabilidade em relação às minorias sociais, como negros, mulheres e pessoas LGBTQIA+.

“É fundamental um olhar nacional sobre questões tão estruturais das nossas desigualdades, especialmente considerando a proximidade das eleições e a resposta que os candidatos terão de dar à crise atual”, avalia o diretor do ICS.

Vulnerabilidade e complementação de renda

Dos entrevistados, 75% perceberam o aumento da situação de vulnerabilidade, especialmente quando se trata de aquisição de bens básicos e alimentos. Outro fator destacado pela pesquisa é que houve aumento de 34% na percepção de pessoas morando nas ruas.

Esse percentual é maior no sudeste (84%), em especial nas capitais (85%) e periferias metropolitanas (84%).

“Ou seja, em municípios em que a população é superior a 50 mil habitantes, as desigualdades e o aumento da pobreza e da fome se tornam maiores aos moradores”, salienta Jorge.

Para tentar driblar a situação econômica, 45% dos brasileiros precisaram fazer atividades extras para complementar sua renda no último ano. Isso equivale a mais de 76 milhões de habitantes com a necessidade de trabalhar mais para garantir o sustento, segundo o ICS.

Dentre as atividades mais realizadas, os serviços gerais (faxinas, manutenção, marido de aluguel) lideram o ranking, com 13%; seguidos pela venda de comida caseira, com 8% e roupas e outros artigos usados, com 6%.

Já em relação às regiões brasileiras, o Sudeste apresentou o maior índice de procura pela complementação da renda, com 49% dos habitantes em algum tipo de atividade adicional, enquanto o Sul do país foi o estado com menos necessidade de complementar a renda, 63% da população não precisou fazer atividades extras.

Além disso, a pesquisa também aponta para maior necessidade das atividades extras entre as famílias com renda de até um salário mínimo e entre os evangélicos.

O estudo foi feito entre 1º e 5 de abril deste ano e, ao todo, foram consultadas 2 mil pessoas, distribuídas pelas cinco regiões do país.

Leia também: ‘Cotistas de baixa renda têm bom desempenho no Enem, mas evadem do ensino superior mais do que brancos’

Leia Mais

Quer receber nossa newsletter?

Destaques

AudioVisual

Podcast

EP 153

EP 152

Cotidiano