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Aquecimento global aumenta em ‘ritmo sem precedentes’, alertam cientistas

Enquanto Acordo de Paris pretende estabelecer limite de 1,5 ºC até o final do século, planeta registrou crescimento de 1,31 ºC em 2023
Imagem mostra icebergs derretidos flutuando perto de uma geleira no fiorde Scoresby, Groenlândia, em 15 de agosto de 2023.

Foto: Olivier Morin / AFP

6 de junho de 2024

O aquecimento causado pelo homem aumentou a um ritmo sem precedentes, enquanto as oportunidades para conter o crescimento da temperatura global a +1,5 ºC estão diminuindo rapidamente. As informações são de um estudo publicado pela revista Earth System Science Data nesta quarta-feira (5).

O relatório é resultado do trabalho de quase 60 cientistas que seguem os métodos do IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Os dados apontam que nas medições instrumentais a temperatura aumentou 0,26 ºC entre 2014 e 2023.

Comparado com a era pré-industrial, a atividade humana causou um aumento de temperatura de 1,19 ºC durante o período analisado. O número representa um crescimento em relação aos valores do último relatório divulgado há um ano (+1,14 ºC entre 2013 e 2022).

Apenas em 2023, o aquecimento causado pelas atividades humanas foi de 1,31 ºC, segundo o estudo. Levando em consideração fatores naturais, como o fenômeno El Niño, o aumento total foi de 1,43 ºC.

Os autores do relatório planejam disponibilizar dados atualizados anualmente que sirvam de base para as negociações das cúpulas climáticas e, deste modo, ajudem com os objetivos do Acordo de Paris de 2015, cujo intuito é manter o aquecimento global abaixo de 2 ºC até o final do século, e, se possível, não superar 1,5 ºC.

O estudo também aponta que o aquecimento global é uma consequência das emissões de gases de efeito estufa, causadas principalmente pela utilização em massa de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. 

Estas emissões poluentes estão em níveis recordes, com cerca de 53 bilhões de toneladas equivalentes ao CO2 anualmente entre 2013 e 2022, alertam os cientistas. Por outro lado, os pesquisadores apontam que regulamentações mais rígidas no transporte marítimo e a redução da utilização de carvão diminuíram as emissões de dióxido de enxofre e contribuíram para algum resfriamento.

A margem disponível para gerar emissões mantendo 50% de probabilidade de conter o aquecimento global a 1,5ºC, no entanto, está se esgotando. “É uma década crítica”, alertam os autores. “É previsível que nos próximos dez anos atinjamos ou ultrapassemos o aquecimento global de 1,5 ºC”.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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