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Ato em memória aos 5 jovens negros assassinados pede o fim da polícia militar

9 de novembro de 2016

Texto: Pedro Borges / Edição de Imagem: Pedro Borges

Manifestação exige também o impeachment do governador Geraldo Alckmin

Nesta quinta-feira, 10 de Novembro, a partir das 18h, diversos movimentos sociais se reúnem em frente à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, no Largo São Francisco, centro, para protestar contra o assassinato dos cinco jovens negros, encontrados em um matagal, neste domingo (6), em Mogi das Cruzes.

Jonathan Moreira Ferreira, 18 anos, César Augusto Gomes Silva, 20, Caique Henrique Machado Silva, 18, Jonas Ferreira Januário, 30, e Robson de Paula, 17, desapareceram em 21 de Outubro, após saírem de carro da zona leste da capital paulista para uma festa em Ribeirão Pires, Grande São Paulo.

Os jovens foram encontrados em estado avançado de decomposição e com marcas de tortura. Um dos meninos estava decapitado. A Ponte Jornalismo apurou que, algumas das dez baladas encontradas na cena do crime, de munição .40, pertencem à Polícia Militar de São Paulo. O rastreamento foi feito pela própria Corregedoria, órgão fiscalizador da corporação.

A Ponte também revelou que policiais militares consultaram os dados de dois dos cinco jovens que foram encontrados mortos. Outro forte índico de participação da polícia na morte dos jovens é fruto de uma mensagem enviada por Jonathan, antes de desaparecer. Ele enviou áudio para uma amiga dizendo que havia sido parado pela polícia. “Ei, tio. Acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia tá me esculachando”, dizia a mensagem.

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Geraldo Alckimin, governador do estado de São Paulo, e responsável pela Polícia Militar é alvo dos manifestantes, que pedem a sua renúncia do cargo por cometer permanentes violações contra os direitos humanos e por alimentar o genocídio do povo negro.
Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, lembra que a violência tem se tornado cada vez mais cotidiana e escancarada. “As coisas estão tão explícitas que antigamente eles desapareciam com um, depois com outro, mas agora eles estão levando assim, de baciada. Desapareceram com logo cinco de uma vez. E essa foi uma das primeiras chacinas de desaparecimento forçado pós-ditadura. Foi vingança em cima desses meninos. Um ato cruel de perversidade”.

Outras manifestações, para além da de quinta-feira, são necessárias acontecer para que o Estado responda pelo crime que comete. “A justiça tem que ser feita. O grito dos militantes na rua tem que ser constante. A gente não pode perder mais só os nossos. A gente tem que lutar para que os nossos continuem vivos. É muito importante a participação de todos nesse ato de quinta-feira, mas que não seja só quinta-feira, que seja até o Estado dar uma resposta a esse crime. Primeiro o desaparecimento forçado e depois a barbárie explícita que aconteceu com esses meninos. Esses meninos foram vítimas de uma emboscada”, explica Débora.

Ela ressalta também a importância de todos e em especial da juventude compor o protesto de quinta-feira. “É muito louvável que todo jovem vá para a rua e peça o direito de viver e o direito de resposta sobre a morte desses meninos, de pedir o que eles eram, seres humanos”.

O ato é convocado pelos movimentos Mães de Maio, #FrenteAlternativaPreta, Uneafro-Brasil, Núcleo de Consciência Negra na USP, Kilombagem, Coletivo Esquerda Força Ativa, Revista Quilombo, Grupo Kilombagem, ONG Combat Social, Cedeca, Sapopemba, Cedeca Interlagos, Frente Evangélica Pelo Estado de Direito, Coletivo negro da UFABC, Quilombo Cabeça de Nego, Coletivo Terça Afro, Fórum Municipal de Educação de Santo André, FFB – Frente Favela Brasil, Núcleo Reflexo de Palmares (Unifesp), Coletivo Enegrecer da USJT, Coletivo Dente de Leão, AEUSP – Associação de Educadores da USP, AMO Associação Mulheres de Odum e Espaço Cultural Caxueras – Cohab Raposo Tavares, #MAIS, Projeto Meninos e Meninas de Rua.

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