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Berço da cultura negra, Pequena África precisa de investimento público para preservação

Situado na região portuária do Rio de Janeiro, local foi desembarque de africanos para mão de obra escravagista; Frente Parlamentar criada por vereadora negra vai atuar na articulação por investimento

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Prefeitura do Rio de Janeiro

Mural pintado na Pequena África, com os rostos de Tia Ciata, Heitor dos Prazeres, Pixinguinha e João da Baiana

11 de maio de 2021

O mandato da vereadora carioca Thais Ferreira (PSOL) criou uma Frente Parlamentar em Defesa da Pequena África, que visa proteger a região do Rio de Janeiro que guarda a história e a cultura afro-brasileira. Fortalecida por 27 parlamentares signatários, a frente começa a atuar em 25 de maio.

Baseada em transparência, participação popular e inovação, a frente pretende contar com a participação da sociedade civil no processo de preservação e revitalização das áreas que compõem o polo da cultura e história negra brasileira. Tia Ciata, Machado de Assis, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres, são alguns dos nomes que fizeram parte da história da região. 

Situada entre a região central e a zona portuária do Rio, a Pequena África vai do Cais do Valongo – considerado patrimônio mundial desde 2017 – e a Pedra do Sal.

 A articuladora social e rapper Sami Brasil conta que o espaço nunca contou com atuação do governo para o resgate de sua história e cultura. “O poder público nunca fez nenhum esforço para que aquele território fosse reconhecido. Todo esse movimento vem das instituições locais e da sociedade civil”, afirma. 

“O Cais do Valongo não tem sinalização e nenhum tipo de manutenção, por isso alaga direto. As cercas estão todas quebradas e o espaço não têm iluminação. É um cenário muito triste para quem entende o valor daquele lugar”, complementa a artista, que atua junto ao mandato da vereadora do PSOL.

Para Thais Ferreira, a falta de investimento do governo carioca para a preservação da Pequena África decorre de uma tentativa de apagamento histórico. “É um reduto culturalmente muito rico e localizado em pleno centro da cidade. Não consigo imaginar outro motivo para justificar a dificuldade de valorizar uma zona tão importante e bem localizada na geografia econômica da cidade que não seja o racismo e a tentativa de apagar a memória africana”, argumenta a vereadora.

pequena africa 02Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

O significado da Pequena África 

O espaço foi redescoberto no processo de revitalização da região portuária e é responsável pela multiplicação de memórias da população negra carioca. Para Sami, que já participou de diversos eventos na Pedra do Sol, ao lado da banda Consciência Tranquila, a região traz  um sentimento de pertencimento.

O Cais do Valongo, especificamente, tem em seu significado a memória do desembarque de milhares de africanos sequestrados de seus países para mão de obra escrava no Brasil. Thais lembra que o espaço abrigoui diversos quilombos após a abolição da escravatura.

“Aqui desembarcaram milhões de africanos escravizados e aqui também surgiram o samba carioca, grupos de abolicionistas e uma série de comércios e serviços de pessoas negras que ajudaram a construir nossa identidade”, conclui a parlamentar.

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