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‘Brasil não pode ser visto como impune para crimes como o assassinato de Marielle e Anderson’

Para Anielle Franco, irmã da ex-vereadora, as autoridades precisam ser constrangidas e pressionadas sobre a falta de esclarecimentos do crime

Texto: Roberta Camargo | Edição: Nataly Simões | Imagem: Reprodução

marielle

12 de março de 2021

“Quem cuida para que essas mulheres eleitas não se tornem a Marielle?”. O questionamento foi feito por Anielle Franco, irmã da ex-vereadora e diretora do instituto que carrega o nome da defensora dos direitos humanos, durante coletiva de imprensa da família e da direção da Anistia Internacional no Brasil nesta sexta-feira (12). No evento online, acompanhado pela Alma Preta, foi apresentado um dossiê que traça uma linha do tempo sobre o caso que completa três anos no próximo domingo.

“Hoje milhões de pessoas falam o nome da Mari, cobram por justiça, mas o Brasil segue como o Brasil da impunidade. O país não pode ser visto como ineficaz e impune para esse tipo de crime”, desabafou Anielle. “A gente precisa fazer Marielle e não só falar da Marielle, ter ações que potencialize e proteja mulheres negras, periféricas, LGBTQIA+, principalmente na política”, acrescentou.

Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional no país, destacou que a sociedade não pode aceitar que as autoridades brasileiras não tenham uma resposta sobre a dupla execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. “É a quinta vereadora mais votada, assassinada no centro do Rio de Janeiro. É inadmissível não haver respostas até agora”, descreveu.

Por se tratar de uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro,  Anielle considera que “as opiniões do presidente da República não devem interferir nas decisões e no encaminhamento do processo”.

Para Agatha Arnaus, viúva do ex-motorista que foi morto por estar com Marielle no momento do crime, a comunicação com o Ministério Público é essencial para a condução do caso e as respostas que precisam ser dadas sobre o assassinato. “A gente vive um momento muito complicado, mas torço para que isso seja uma força motriz para levar a justiça para outras pessoas. Essa luta é grande demais e a gente só torce para que não leve mais três anos”, ponderou.

‘O mundo espera por respostas’

“Essa lentidão é inexplicável para quem não vive no Brasil. O mundo inteiro acompanha a luta das famílias de Marielle e de Anderson e todo mundo sabe que crimes desse tipo não são complexos, mas o mundo sabe também que há ferramentas e possibilidades para avançar. É preciso avançar”, reforça Jurema. A mensagem que fica, segundo a diretora da Anistia Internacional, é de que não é à toa que o Brasil é o terceiro país mais violento contra ativistas de direitos humanos.

“O Brasil precisa ser um país onde lutar por direitos humanos, pela população preta e da favela precisa ser reconhecido como um bem. Não vamos aceitar que esses crimes sejam cometidos outras vezes, três anos é tempo demais. Nós vamos continuar lutando por justiça”, completou Jurema.

Marinete da Silva, mãe de Marielle, ressaltou ainda a importância da imprensa para o assassinato da filha não ser esquecido pelas autoridade e reafirmou que a dor da perda não a impede de buscar por respostas sobre os mandantes do crime. “Vamos continuar lutando, a nossa dor é imensurável, então a gente vai continuar acreditando na justiça, primeiro na de Deus, depois na dos homens, para saber quem e porquê mandaram matar Marielle”, declarou.

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