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Campanhas beneficiam população negra e periférica no Nordeste; veja como ajudar 

Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Entidades e ativistas de estados nordestinos se mobilizam para amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia; Conheça campanhas direcionadas à população negra, periférica e situação de rua que precisam de ajuda 

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagens: Filipão Brito/Coalizão Negra por Direitos 

Campanhas beneficiam população negra e periférica no Nordeste; veja como ajudar 

30 de março de 2021

Há mais de um ano que o país sofre com os impactos da pandemia pela COVID-19, ainda sem previsão de ser erradicada. A falta de perspectiva de controle da crise sanitária – que se agravou pela falta de organização do poder político federal – não atinge a Saúde, apenas, mas acaba por acentuar problemáticas socioeconômicas. A falta de emprego e o aumento do número de famílias em níveis de insegurança alimentar estão entre as consequências. Para aliviar esse cenário, entidades e coletivos no Nordeste intensificam as campanhas de arrecadação de alimentos e dinheiro para ajudar no dia a dia da população preta e periférica, que está à margem de direitos básicos.  

Com a segunda onda de infecção e o aumento de casos, várias cidades decretaram “lockdown” ou medidas restritivas, que fecharam as portas de diferentes tipos de comércio e acentuaram o desemprego. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só em 2020, a média anual de desemprego foi de 13,5%. O dado representa 13,4 milhões de brasileiros que estavam aguardando vagas de trabalho. As estatísticas ainda apontam crescimento do número da população sem emprego, sendo, em 2019, 11,9%. 

Para além do desemprego, outros fatores desencadearam o crescimento do número de famílias em algum nível de insegurança alimentar, que estão em situação de fome e de miséria. Em estudo feito entre os anos de 2017 e 2018 e divulgados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, também do IBGE, dos 68,9 milhões de domicílios registrados no país, o montante de 36,7% apresentaram algum nível de fome ou falta de alimentos básicos em suas casas. Segundo a estatística, 84,9 milhões de pessoas já se encontravam nessa situação. 

Mestra de Maracatu Encanto do Pina e moradora da comunidade do Bode, Joana Darc precisou adaptar a lista de prioridades da agremiação desde o ano passado. A conclusão da reforma da sede, onde acontecem ações voltadas para a comunidade e que está ameaçada, passou a dividir atenção com a necessidade de arrecadação de alimentos.  “O dia a dia tem sido uma luta. Muitos dos meus jovens entraram no tráfico. As pessoas vêm à sede da Nação com fome pedir comida. Estamos vivendo um pesadelo”, conta ela. Diante das dificuldades, Joana busca ajuda e pede apoio de organizações privadas. “O período de chuva coloca em risco toda a estrutura que a gente já construiu. Precisamos terminar o telhado mas, em paralelo, estamos em busca de parcerias para conseguir cestas básicas”.

Vulnerabilidade 

No último dia 23 deste mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) também alertou sobre a falta de assistência urgente e ampliada para a população que se encontra em vulnerabilidade social e previu que a fome aguda deve aumentar em mais de 20 países nos próximos meses. A perspectiva foi levantada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA). A organização emitiu um comunicado junto ao relatório para pedir ajuda de doadores para arrecadar 5,5 bilhões de dólares para combater a desnutrição e a miséria. 

Para a idealizadora do projeto ‘Aqui Tem Vida’, que realiza trabalhos voluntários a favor dos Direitos Humanos nos viadutos da cidade do Recife e Região Metropolitana, Gabriela Sampaio, projetos de auxílio às pessoas em vulnerabilidade trazem, para além de alimentos e kits de higiene pessoal, perspectiva de vida e esperança para quem é invisibilizado socialmente. “Não é de hoje que encontramos pessoas em vulnerabilidade social, na fome, na miséria e isso só se acentuou na pandemia. Pessoas não têm o que comer, não tem onde morar, não contam com saneamento básico e, para além disso, devem se preocupar com a assistência enquanto suas saúdes. Fazemos um trabalho na tentativa de termos as cidadanias resgatadas, levarmos a possibilidade de uma vida digna. No nosso projeto, por exemplo, mantemos contato com uma família que mãe, duas filhas e um neto vivem em situação de rua, vivendo em viaduto, ou seja, mais de 40 anos nessa situação”, pontua. 

O cenário alarmante segue despertando o exercício da solidariedade entre muitos grupos de apoio, coletivos, organizações sociais e entidades filantrópicas, que tentam reduzir os danos causados pela pandemia. Para fortalecer esta corrente, a Alma Preta Jornalismo PE separou uma lista de pontos de arrecadação da região Nordeste para que, se possível, você também possa ajudar. Confira:

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1. ‘Tem Gente com Fome’

Campanha organizada pela Oxfam, uma organização da sociedade civil brasileira que luta contra as desigualdades, em parceria com a Coalizão Negra Por Direitos, Anistia Internacional, Associação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), Redes da Maré, 342 Artes, Nossas – Rede de Ativismo, Instituto Ethos, Orgânico Solidário e Grupo Prerrô. Em Pernambuco, a Rede de Mulheres Negras também aderiu à campanha. Integrantes da entidade realizaram entregas no último final de semana na Comunidade dos Canos, em Paulista, Região Metropolitana do Recife. A campanha segue arrecadando alimentos e recursos financeiros. 

Para doações on-line aqui

2. ‘Aqui Tem Vida’ (PE)

Coletivo que luta pela garantia dos Direitos Humanos das pessoas que vivem nos viadutos do Recife em extrema vulnerabilidade social. A ação de arrecadação é organizada pelo Ilê Obá Aganjú Okoloyá, Terreiro de Mãe Amara, e o Afoxé Oyá Alaxé.

Ponto de arrecadação: Rua das águas verdes, 52 – Pátio de São Pedro 

Mais informações no link

3. ‘Você tem fome de quê?’ (BA)

Ação organizada pelo Coletivo Resistência Preta, que reúne ativistas contra a discriminação racial e as problemáticas que envolvem o racismo na cidade de Salvador. 

Pontos de arrecadação: Casa Xangô House – Largo da Saúde, Nº 1, Saúde I Centro Cultural ‘Que Ladeira é Essa?’ – Ladeira da Preguiça Nº10

Para doações on-line: Pix: 30.800.235-0001-29

Mais informações no link

4. SOS Periferia (CE) 

O projeto, que é sediado em Fortaleza, arrecada alimentos, materiais de limpeza e kit de higiene pessoal e transforma em cestas básicas. Além disso, uma cozinha solidário foi montada para distribuição de refeições nas periferias da cidade. 

Para doações on-line: Pix: 85996357677 

Para mais informações: (85) 9.9635-7677 ou através do link

5. Escola Livre de Redução de Danos (PE)

Organização político profissional da redução de danos, a favor dos Direitos Humanos.

Ponto de arrecadação: Rua das Ninfas, N º 267 – Bairro da Boa Vista 

Para doações on-line: Vakinha: vaka.me/1892025 I PIX: escolalivrerd

Mais informações no link

6. ONG Cicovi (PB)

Ação realizada pelo Centro Integrado de Ações Comunitárias pela Vida (CICOVI) arrecada alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal em João Pessoa. 

Ponto de arrecadação: Rua Professora Luzia de Cristo, Nº201, Conj. Valentina Figueiredo II

Mais informações: (83) 98819-6378 ou pelo link

7. RN+Unido (RN)

Fruto da parceria entre a Cruz Vermelha, a Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (ASSURN) e apoio do Ministério Público Estadual, a ação visa centralizar as doações arrecadas para distribuição entre as comunidades carentes do estado. 

Pontos de arrecadação: 290 supermercados estão recebendo doações no Rio Grande do Norte

Mais informações no link

8. Caranguejo Tabaiares Resiste (PE)

Coletivo de resistência da comunidade Caranguejo Tabaiares, região que tem sua origem voltada para pesca, que sobrevive do comércio de frutos do mar, como a criação de moluscos. 

Para doações on-line: Pix: (81)98378-1489

Mais informações no link

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