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“É tudo mentira?”: série da Alma Preta discute os impactos das fake news

Com quatro episódios já lançados, a série reúne especialistas e pesquisadores que ajudam a debater, identificar e denunciar as notícias falsas

Foto: Alma Preta Jornalismo

Foto: Foto: Alma Preta Jornalismo

4 de novembro de 2022

Com foco em discutir as fake news e os impactos desse fenômeno em setores da sociedade, a Alma Preta Jornalismo, em parceria com a Aláfia.lab e o *desinformante, lançou a série “É tudo mentira?”, que tem como objetivo informar, debater, identificar e denunciar as notícias falsas.

Ao todo, a série conta com quatro episódios e traz como temas “O que são as fake news?”, “Como as fake news afetam a política?” entre outros. Além disso, conta com especialistas que atuam no ambiente virtual, em agências de checagem, jornalistas e pesquisadores, como o professor da Universidade Estadual Paulista, Juarez Xavier, a jornalista e integrante do Projeto Comprova, Mari Leal, e a jornalista e pesquisadora da ECA/ USP, Rosane Borges.

Até então a série conta com quatro episódios, que podem ser acessados no canal do YouTube da Alma Preta Jornalismo. O quarto episódio da série foi disponibilizado na última quinta-feira (3). Confira abaixo um resumo dos episódios:

Episódio 1: “O que são as fake news?”

Apresentado por Lívia Lima, o primeiro episódio introduz o que são as fake news, como elas surgiram e passaram a ter espaço no cenário político e quais os impactos desse fenômeno para a sociedade.

O termo “fake news” (notícia falsa, em tradução livre) passou a ganhar repercussão em 2016, utilizado pelo ex-presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Na época, o republicano disputava as eleições com a democrata Hillary Clinton e a expressão passou a ser disseminada como forma de desmobilizar adversários políticos. A partir disso, as fake news expandiram e ganharam notoriedade no Brasil em 2018, durante as eleições presidenciais.

Um dos convidados do episódio, Wilson Gomes, professor titular da Universidade da Bahia (UFBA), explica que as fake news “são parte de uma família de ações digitais que são voltadas para enganar ou manipular pessoas, com meia informação, informações parciais distorcidas ou inventadas”.

Segundo Nina Santos, pesquisadora na UFBA, as fake news possuem elementos estratégicos utilizados para atrair a atenção do leitor com uma narrativa de ineditismo.

“Em geral, [a fake news] tem um discurso muito apelativo que é construído. Tem a construção dessa ideia de ineditismo, de algo que você só vai ver ali, o que na verdade é também uma estratégia para fazer com que as pessoas não chequem aquela informação”, explica a especialista. 

Episódio 2: “Como as fake news afetam a política?”

Já o segundo episódio aborda as consequências das notícias falsas na política nacional e internacional e como elas afetam a democracia e as eleições no país.

Em um mundo conectado, o repasse de informações pelas redes sociais tem se tornado a principal fonte de informação da população. De acordo com Flávia Levèfre, advogada, conselheira do Comitê Gestor da Internet no Brasil e uma das convidadas do segundo episódio da série, cerca de 90% dos internautas usam o WhatsApp e Facebook para se informar.

“As pesquisas do CG IBR, por meio do City BR, mostram que 90% dos usuários das classes D e E só acessam a internet por dispositivos móveis. Na classe C, isso são 68%, que só acessam a internet por dispositivos móveis, então a influência que o Facebook e o WhatsApp têm em como as pessoas se informam, a que tipo de informações elas recebem, é muito grande”, comenta a advogada.

Na política nacional e internacional, a disseminação das fake news também tem relação com o investimento dos grupos de extrema-direita em notícias falsas.

No Brasil, esse fenômeno passou a ser observado nas movimentações políticas durante as eleições de 2018, como o assassinato da vereadora Marielle Franco, a greve dos caminhoneiros e a expectativa da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo conta Tatiana Dourado, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em democracia digital (UFBA).

“Todo esse contexto que já estava em processo de polarização afetiva porque o antipetismo havia crescido de 2013 até 2018, então isso culminou com a eclosão, por exemplo, de um processo muito mais amador de produzir e distribuir conteúdo político, ou seja, o eleitor brasileiro passou a consumir conteúdo político gerado por novos coletivos sociais e novos coletivos da nova direita”, aponta a pesquisadora.

Segundo Mari Leal, repórter do Jornal Correio e do Projeto Comprova, as fake news trouxeram novos desafios para o trabalho jornalístico e resultaram no surgimento das agências de checagem.

O principal desafio das agências de checagem é conseguir acompanhar o fluxo que esses conteúdos enganosos são produzidos porque é uma corrida, a gente ainda está correndo atrás, a gente ainda está num momento de reparar um dano, e às vezes é inimaginável a informação que vai ser distorcida”, destaca a jornalista.

Episódio 3: “Por que as fake news mudaram o jornalismo?”

Visto os impactos das fake news na sociedade, o terceiro episódio retrata as mudanças no jornalismo e a influência das agências de checagem no combate à desinformação.

No contexto da pandemia, a desinformação foi estimulada durante o governo Bolsonaro, que chegou a afirmar que deixaria de informar o total de mortes e casos da Covid-19 e descredibilizou o papel da imprensa nas notícias sobre a pandemia.

Rosane Borges, jornalista e pesquisadora da ECA/ USP, defende que um dos papéis fundamentais do jornalismo é a transparência e a defesa do interesse público.

“Do ponto de vista do jornalismo e da imprensa, o jornalismo também nasce como uma instituição que está do lado da transparência, ou seja, tudo aquilo que nos interessa deve ser partilhado, deve ser noticiado”, diz a pesquisadora.

Juarez Xavier, professor da Universidade Estadual Paulista e um dos convidados do episódio, ressalta a importância de abordar uma narrativa plural dentro do trabalho das agências de checagem.

“Se eu entendo uma parte de uma checagem que tem uma abordagem mais interseccional, uma abordagem que vai além do universo cultural da classe média, eu tenho condições de dar mais consubstancialidade à informação. Então seria legal, importante, fundamental, que essas agências de checagem pudessem fazer a checagem para além do universo econômico político social e cultural da classe média”, pontua.

Episódio 4: “Como as plataformas e as fake news afetam seu cotidiano?”

No quarto e último episódio, a série discute o poder de influência das redes sociais, a coleta de dados na internet, a interferência da desinformação no cotidiano dos brasileiros e em setores da sociedade, como a ciência.

O marco civil da internet e a Lei Geral de Proteção de Dados é um dos pontos trazidos no episódio. De acordo com Samara Castro, advogada especialista em Direito Eleitoral, é essencial para a democracia, no entanto, ainda precisa de avanços diante do novo contexto

“Do ponto de vista do marco civil da internet, eu acho que ele teve avanços fenomenais na forma pela qual a gente lidaria com tudo aquilo que acontece no ambiente virtual, mas eu entendo que hoje ele precisaria ser revisitado especialmente no que diz respeito ao papel das plataformas, que são basicamente as redes sociais e as telefônicas”, explica Samara Castro.

Com as fake news, uma das áreas que sofreu impactos durante a pandemia foi a ciência. Segundo a cientista Jaqueline Góes, primeira biomédica a mapear o genoma do coronavírus no Brasil, o período da corrida presidencial em 2018 e a gestão do governo atual gerou retrocessos que resultaram na desmobilização da ciência e de possíveis avanços na sociedade.

“Só nesses quatro anos a gente conseguiu voltar a 30 anos em termos econômicos e científicos pela falta de investimento, pela falta de visão de que a ciência é importante, de que da ciência a gente pode trazer uma série de outros benefícios que não ficam só no campo da saúde, das sociais, das exatas, mas que chega de fato a movimentar a economia”, comenta a cientista.

Leia também: Exclusivo: pessoas negras eram apenas 6% da delegação brasileira da última COP

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