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Justiça condena Extra a indenizar cliente negra revistada na saída do mercado

A decisão considerou o estabelecimento responsável por abordagem inadequada
Reprodução

Foto: Imagem mostra a fachada de uma das filiais "mini" da empresa Extra

7 de novembro de 2023

A Justiça de São Paulo condenou a Companhia Brasileira de Distribuição, empresa responsável pelo supermercado Extra, a pagar uma indenização de R$ 12 mil para uma cliente que foi vítima de racismo em uma loja do bairro Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. A decisão, emitida em primeira instância nesta segunda-feira (6), considerou o Extra responsável por uma abordagem inadequada, motivada por questões raciais.

Em novembro de 2022, a cliente, de 56 anos, se dirigiu até uma das filiais do “Mini Extra” para comprar pão, acompanhada por sua filha. No entanto, ela desistiu da compra ao observar que a fila do caixa de pagamento estava muito longa. 

A cliente deixou o pão que havia escolhido na prateleira e se dirigiu para a saída. Conforme alegado no processo, um segurança do estabelecimento a abordou e arrancou a bolsa de suas mãos, gritando: “O que você tem aqui?”

Por conta da humilhação sofrida, a cliente chamou a polícia para relatar o ocorrido. Ela afirmou não ter dúvidas de que foi vítima de racismo, argumentando que pessoas brancas também deixaram o estabelecimento sem fazer compra alguma, mas não foram abordadas pelo segurança.

No Brasil, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, 69% dos pretos e 36% dos negros (pretos ou pardos) afirmam já terem sofrido preconceito em lojas, restaurantes, shoppings ou supermercados.

À Justiça, o advogado Marco Aurélio Tadeu, representante da vítima, ressaltou que o Extra tem câmeras de monitoramento e que, portanto, o segurança poderia ter verificado que ela não havia cometido furto algum. Segundo Tadeu, apenas após a chegada dos policiais, os seguranças se desculparam com a vítima. 

Na defesa apresentada à Justiça, a empresa afirmou argumentou que não pode ser responsabilizada pelos acontecimentos, uma vez que a “suposta abordagem indevida” teria sido realizada pelo segurança de uma empresa terceirizada. A Companhia Brasileira de Distribuição afirmou ainda que a narrativa feita pela cliente não corresponde à realidade dos fatos, e que possui uma motivação oportunista visando obter vantagens financeiras.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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