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‘Luto para provar minha inocência porque o Estado é racista’, diz Babiy Querino

Modelo e dançarina está em regime aberto desde setembro para aguardar a revisão criminal do seu caso; decisão da justiça paulista foi adiada na terça-feira (29)

30 de outubro de 2019

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu adiar a revisão criminal do caso de Barbara Querino, condenada em primeira instância por roubo. Em audiência na terça-feira (29), os desembargadores concluíram que precisam de mais tempo para analisar o processo.

A decisão se a condenação será mantida ou se haverá absolvição em segunda instância deve ocorrer em audiência online, ainda sem data prevista.

Mais conhecida como Babiy, a modelo e dançarina não foi autorizada a acompanhar a audiência e soube do adiamento da revisão criminal por meio de seus advogados Flavio Roberto Campos e Roberto Tardelli.

Para Babiy, o adiamento é frustrante. “Eu chorei muito. Esperava uma resposta positiva para que a minha vida voltasse ao normal. As pessoas sempre me veem forte, mas por dentro eu estou cansada”, desabafa.

A modelo e dançarina conseguiu liberdade para aguardar o recurso de seu julgamento em regime aberto no dia 10 de setembro. Babiy passou 1 ano e 8 meses encarcerada e, desde que deixou a prisão, pensa no momento em que conseguirá provar que foi vítima de uma injustiça.

“Eu continuo respondendo por um crime que não cometi. Tenho que lutar para provar minha inocência porque o Estado é racista”, afirma.

Relembre o caso

Em 10 de agosto de 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou Barbara Querino a cinco anos e quatro meses de reclusão em regime fechado sob a acusação de que ela teria participado de um roubo na Zona Sul da capital paulista no dia 10 de setembro de 2017.

Colegas de trabalho testemunharam que estavam trabalhando com Babiy no Guarujá, litoral paulista, no dia do roubo pelo qual ela é acusada. Publicações em redes sociais com dia e hora se somam aos elementos da defesa de que a modelo e dançarina não estava na capital na data em que o roubo ocorreu.

Os advogados de Babiy também argumentam que a condenação possui um teor racista. A denúncia contra a jovem negra se baseou no depoimento de uma das vítimas do roubo, que disse ter reconhecido Babiy por causa do cabelo.

Outro ponto destacado pela defesa é o fato de policiais civis do 99º DP terem compartilhado nas redes sociais uma fotografia de Babiy com um pedido para que a vítima do roubo procurasse uma delegacia para confirmar se a modelo e dançarina era a autora do crime.

O método utilizado pelos policiais para encontrar o responsável pelo crime contradiz a lei 12.037, de 2009, que dispõe sobre o procedimento adequado para identificação.

  • Nataly Simões

    Jornalista de formação e editora na Alma Preta. Passagens por UOL, Estadão, Automotive Business, Educação e Território, entre outras mídias.

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