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“Me desafio a questionar esse sistema que destrói nossa autoestima todos os dias”

29 de maio de 2018

Possíveis ações para mais representatividade nessas áreas foram temas de roda de conversa no 2º Encontro de Estudantes Negras e Negros da União Estadual dos Estudantes de São Paulo

Texto e imagem / Thalyta Martins

Em 19 de maio, jovens negros discutiram sobre comunicação e cultura no 2º Encontro de Estudantes Negras e Negros da UEE-SP (União Estadual dos Estudantes de São Paulo) com o DJ, ator-MC e pesquisador da cultura afro-diaspórica, Eugênio Lima, e com a jornalista e ativista dos direitos humanos com foco em raça e gênero, Juliana Gonçalves. A mediação foi feita por Wes Machado, coordenador geral do Circuito Universitário de Cultura e Arte de São Paulo (CUCA SP).

Ao mesmo tempo da roda, aconteciam outros painéis, entre eles, desafios para acesso e permanência no Ensino Superior e racismo religioso.

O Encontro foi organizado pela Diretoria de Combate ao Racismo da UEE-SP, em conjunto com o Ilê Axé de Iansã, localizado no Sítio Quilombo Anastácia, que por sua vez está dentro do Assentamento Rural Araras 3.

Demandas na comunicação

O documento final do encontro lido para os presentes apontava a necessidade de emancipar a população negra para se construir um projeto de nação que parta de vozes negras. O registro reivindicava representação populacional nos espaços de poder na política e na economia, e, também, condições de qualificar nossa participação.

Um ponto importante para que isso seja alcançado, é a democratização das mídias para a luta antirracista. Isso, segundo o documento, “exige uma mudança da superestrutura midiática para possibilitar que ocupemos cada vez mais espaços nessa área. É necessário estimular a criação e fomento de uma narrativa própria, onde negros e negras assumam o papel de construtores e não meros objetos. (…) Os negros e negras precisam ocupar os espaços de produção cultural e midiática.”

Thales Santos, estudante de Gestão de Políticas Públicas na USP, concorda. Segundo ele, o acesso à comunicação é a capacidade de estar em todos os palcos, ao mesmo tempo em que atrás de todos as câmeras. A intenção disso é “poder direcionar para onde ela [a câmera] aponta e o que ela mostra.”, disse.

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Thales Santos no 2º Encontro de Estudantes Negras e Negros da UEE SP (Imagem: Thalyta Martins)

De acordo com o jovem, as mídias possuem capacidade de manipulação da população e manutenção do status quo pelas informações dadas para as pessoas. “Nós temos necessidades e anseios! Dá para mudar as coisas. A mensagem que temos que passar pra pessoa do lado que fica assistindo a Globo e a Record é que existem outros pontos de vistas e que dá pra ser diferente.”, afirmou em entrevista ao Alma Preta.

Thayna Carvalho, militante da União da Juventude Rebelião e da Unidade Popular do Socialismo também participou da roda. Segundo ela, a discussão a fez refletir sobre o papel da mídia e da cultura na sociedade capitalista e como ela pode utilizar as mesmas para acabar com o sistema que lucra em cima da miséria da classe trabalhadora, em especial do povo negro.

Reivindicações na cultura

Thales falou também sobre a produção cultural. Ele acredita que precisamos ter mais reconhecimento da nossa produção cultural histórica enquanto algo nosso mesmo. Ele citou o exemplo da polêmica música que diz “rap é pra branco e pra preto”.

“Eu concordo que a cultura Hip-Hop – assim como o Samba, o Jazz, o Blues, o Rock – pode ter representantes multiétnicos, mas o que essa ela não entende, e eu a uso como bode expiatório falar da branquitude como um todo, é que o rap é mais que um estilo musical e sim uma manifestação social de resistência, que tem sua forma construída por e para pessoas negras”, disse.

Segundo ele, pessoas negras precisam de mais do que acesso à cultura, mas também precisam participar efetivamente do progresso que essa produção cultural pode ter.

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Thayna Carvalho no 2º Encontro de Estudantes Negras e Negros da UEE SP (Imagem: Thalyta Martins)

Thayna, que trabalha com cultura na cidade de São Paulo, disse que tem como desafio fazer com que a arte se torne cada vez mais instrumento de luta e avanço da consciência da classe trabalhadora. “Me desafio a questionar esse sistema que destrói nossa autoestima todos os dias e que nos diz, de todas as maneiras possíveis e imagináveis que não somos capazes de transformar essa realidade tão dura e cruel contra o povo negro. Acredito que a solução está na transformação e superação desse sistema que favorece o racismo através do poder popular e do socialismo.”, disse.

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