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Monica do movimento pretas: “É a vez das pretas ocuparem os espaços”

Deputada estadual pela Mandata Ativista desde 2018, Monica Seixas tenta a reeleição com um grupo de 7 mulheres negras

Monica do Movimento Pretas buscam uma vaga na ALESP

Foto: Monica do Movimento Pretas buscam uma vaga na ALESP

1 de outubro de 2022

O movimento pretas é uma campanha composta por 7 mulheres negras, encabeçada pela deputada estadual Monica Seixas (PSOL), que tem o intuito de ratificar a presença de mulheres negras na política e com elas seguir priorizando as pautas e lutas dos grupos vulnerabilizados, e que defende a periferia como centro.

Algumas das principais pautas, são voltadas ao antirracismo, feminismo, ecossocialismo, combate à fome, educação de qualidade, maternidade, LGBTQIA+, defesa da Cultura e Patrimônio negro e indígena, saúde, democratização do acesso ao transporte. “Somos mulheres negras ocupando a política. Queremos promover espaços de escuta e aquilombamento no parlamento e nos territórios para que mulheres negras sejam protagonistas da formulação política”, diz o material de campanha do mandato.

Entre as integrantes do mandato estão: Monica Seixas deputada estadual pelo PSOL, eleita em 2018 pela Mandata Ativista, primeiro mandato coletivo do Estado de São Paulo, com aproximadamente 150 mil votos e entre as 10 candidaturas mais votadas. Na Alesp, priorizou pautas relacionadas ao ecossocialismo, com apresentação de projetos e destinação de emendas ambientais, bem como a pessoas em situação de vulnerabilidade, seja racial, social ou de gênero.

Monica é autora do processo de cassação do ex-deputado estadual Arthur do Val, mais conhecido por Arthur Mamãe Falei e é líder da bancada do PSOL dentro da Alesp. Jornalista, feminista negra e ecossocialista, ela é cofundadora do coletivo “Itu Vai Parar” e foi candidata a prefeita pelo PSOL na cidade. Atualmente, busca a reeleição pela candidatura-movimento Pretas, que conta com 7 mulheres e tem o intuito de ratificar a presença de mulheres negras na política e com elas seguir priorizando as pautas e lutas dos grupos vulnerabilizados.

Já Ana Laura Cardoso Oliveira é militante do movimento popular cultural e periférico, do movimento negro e feminista. “Sou das quebradas, sou cria de Itapevi, mas circulo pelas periferias da zona oeste à zona sul de São Paulo”. Em sua trajetória atuou em diversas frentes, entre elas no movimento de juventude com estudantes secundaristas, participou das ocupações das escolas em 2015, atuou na construção de saraus nas praças de Itapevi. Além disso, é chefe de gabinete no mandato da vereadora Luana Alves, de São Paulo, e integra o coletivo feminista Juntas.

Karina Correia, por sua vez, é graduanda em Psicologia e ativista de Osasco. “Atuo dentro da periferia, desde saneamento básico, segurança alimentar, até a introdução do feminismo, e dos debates de raça, emprego e renda”. É uma das covereadoras do mandato coletivo Ativoz, eleito em Osasco em 2020. Quando indagada sobre a candidatura coletiva afirma que “é o começo de uma revolução, marcada pela esperança e pelo processo da destruição dos feudos que ainda atuam dentro dos espaços de poder”.

Letícia Siqueira das Chagas cursa Direito, nasceu em Campinas, integrou o movimento secundarista na ETEC, participou das ocupações das escolas em 2015 e dá aulas em cursinho popular. Além disso, foi a primeira mulher negra eleita para ser presidenta do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), conhecido por Onze.

Outra integrante da bancada é a professora Najara Costa, ativista de longa data. Moradora de Taboão da Serra, grande São Paulo, onde foi a única mulher candidata à prefeita no município, em 2020. “A política é um lugar que precisa ser ocupado por mais mulheres, sobretudo as negras e periféricas. Quando se projetam ações para as mulheres, projetamos para toda a população”, diz.

Rose Soares, é uma mãe solo, natural de Barueri, onde criou o Coletivo Juntas por Barueri, um grupo de 7 mulheres que enfrentaram o coronelismo e a velha política e alcançaram a marca de 3.134 votos para vereadora, sendo a segunda candidatura feminina mais bem votada da cidade. O PSOL, contudo, não alcançou o quociente eleitoral e elas não foram eleitas. “Acredito que a vida política é meu espaço de realização pessoal e também coletivo, sinto falta de representatividade de mulheres pretas e periféricas nos espaços de poder e decisão política e penso que posso ser a esperança e voto de muitas mulheres que gostariam de disputar esse espaço e por algum motivo não podem”, diz.

Outra membra é a professora do movimento sindical Poliana Nascimento, que vem de Itanhaém, onde já foi candidata duas vezes à vereança e uma vez à prefeitura. Mãe de dois filhos, em seus muitos anos de ativismo, atuou nos movimentos sindicalistas e feministas.

As principais propostas do grupo são a de pautar outro modelo de política de segurança pública, como o fim da guerra às drogas. “Queremos lutar pela progressiva desmilitarização das forças de segurança, bem como a reforma da política de drogas; ampliação das câmeras que monitoram a atuação da polícia e políticas de redução de danos para população usuária de drogas”, defendem.

Há ainda o intuito de conseguir maior distribuição de renda e combate à fome; valorização da educação como direito e fortalecimento dos professores; combate à violência de gênero; valorização da memória negra e indígena do Estado; transporte coletivo público e de qualidade; investir na Cultura periférica e combater a intolerância religiosa.

Monica vem da Mandata Ativista que teve um histórico de brigas internas e afastamentos. Questionada sobre o porquê da busca de um novo mandato coletivo, ela afirma que os integrantes da Mandata não se conheciam e depois das eleições as diferenças partidárias geraram divergências, mas defende que o movimento Pretas permite uma atuação conjunta que vai para além das eleições. “As integrantes são conectadas em movimentos e pautas. A expectativa é ter um mandato popular e que seja uma escola de formação parlamentar para mulheres negras”, ressalta, lembrando que as Pretas já são um coletivo, tomam decisões em conjunto e priorizam as mesmas pautas.

Segundo elas, o PSOL participou da construção da chapa e tem apoiado a candidatura. Entre os apoiadores, elas citam Sâmia Bomfim, Ana Vilela, Johnny Hooker, Chico César, Paulo Betti, Silvio Almeida, Debora Diniz,Carol Solberg, Adilson Moreira, Eduardo Semerjian, Sônia Ara Mirim, Marcelo Adnet, Naruna Costa, Eddie Coelho, Naruna Costa, Juliana Ativoz, Vivi Reis, Daniel Ganjaman, Mel Duarte, Giovana Nader, entre tantos outros.

As Pretas lembram que a Alesp até hoje só teve quatro deputadas negras, sendo três delas neste último mandato. “Uma sou eu, nossa proposta é levar 7 mulheres negras nesses próximos quatro anos para ratificar a presença de pautas antirracistas e mais próximas aos grupos de pessoas em situação de vulnerabilidade”, ressalta Mônica.

“Somos Monica do Movimento Pretas e temos como lema: Periferia é o Centro. É a vez das pretas ocuparem os espaços”, finaliza.

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