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Mulheres negras têm menor chance de sobreviver a câncer de mama

Grupo minorizado tem menos acesso a exames preventivos como a mamografia, de acordo com estudo
Imagem mostra mulher negra de costas, fazendo exame na mama.

Foto: Unsplash

2 de outubro de 2023

Em todo o mundo, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. O Instituto Nacional do Câncer estimou 66.280 novos casos em 2022, o que representou uma taxa de incidência de 43.74 casos para cada 100 mil brasileiras.

O câncer de mama trata-se do crescimento descontrolado de células com características anormais na região dos seios, causadas por uma ou mais mutações em seu material genético.

O Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA), instituição formada por pensadores das relações raciais, especialistas em ciência de dados, estatísticos, economistas e cientistas sociais, lançou recentemente um material que aponta os impactos da desigualdade no acesso a serviços de saúde.

O estudo foi embasado em um cruzamento de estatísticas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS). Os números atestam, por exemplo, que pessoas brancas têm muito mais acesso ao acompanhamento médico e são menos expostas a condições que produzem doenças.

A pesquisa traz dados como o número de mulheres negras entre de 50 e 69 anos de idade que nunca realizaram mamografia na vida em comparação a mulheres brancas, sendo 15.070 mulheres negras e 9.629 brancas.

Mulheres negras sobrevivem menos ao câncer de mama

Essa falta de acesso a exames como a mamografia explica a razão de as mulheres negras terem menos chances de sobreviver ao câncer de mama do que as brancas, conforme expõe um outro estudo, realizado no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também baseado nos dados do SUS, de 2020.

A pesquisa, que integra o projeto de doutorado da farmacêutica Lívia Lovato Pires, destaca que a sobrevida de mulheres negras em casos de câncer de mama é até 10% menor do que entre as mulheres brancas.

“O gráfico produzido com os dados de sobrevida de mulheres nos cinco anos após o início do tratamento mostra que as de cor de pele preta morrem mais rápido do que as de pele branca”, diz a autora.

Outras desigualdades no acesso à saúde

No Brasil, há disparidades na realização de exames básicos de rotina como teste do pézinho, de visão e audição do bebê, e no atendimento de adultos a aferição de pressão arterial, glicemia e colesterol, ou mesmo no acesso a consultas odontológicas e oftalmológicas, que são menos frequentes na população negra.

Em relação ao pré-natal de mulheres negras, o estudo do CEDRA aponta que mais de meio milhão tiveram acompanhamento inadequado ou não tiveram atendimento durante a gravidez.

“Os dados permitem uma radiografia da situação de saúde da população negra brasileira, embora haja indícios que a pandemia da covid-19 tenha agravado essa situação e acentuado as desigualdades raciais em saúde. Estes dados evidenciam que o racismo sistêmico está também na saúde, assim como nos outros campos da vida brasileira”, afirma Helio Santos, presidente do conselho deliberativo do CEDRA.

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