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“O movimento ‘agora vai ser assim’ é legítima defesa”, analisa Roger Cipó

Após o ato em frente ao prédio em que o humorista Eddy Jr foi vítima de racismo, o movimento negro se une para elucidar que casos semelhantes não passarão mais despercebidos

Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Foto: Imagem: Reprodução/Redes Sociais

27 de outubro de 2022

“O movimento ‘agora vai ser assim’ é uma continuidade. Ele é parte de todo o processo e reivindicações do movimento negro do Brasil. É a convergência de pessoas negras se organizando para enfrentar as violências raciais neste país”. É dessa forma que o ativista Roger Cipó, fotógrafo, escritor, comunicador, influenciador digital e apresentador, define o protesto “agora vai ser assim”. 

Depois do caso de racismo sofrido pelo humorista Eddy Jr, o movimento negro se reuniu na última quinta-feira (20) na portaria do prédio em que ele mora em busca de reparação à violência racista sofrida pelo artista negro por parte da aposentada Elizabeth Morrone e seu filho, no bairro da Barra Funda, zona oeste da cidade de São Paulo.

“Agora vai ser assim. Toda vez que houver um episódio de racismo, nós vamos para cima”. Com essas palavras o advogado Ewerton Carvalho, que foi candidato a deputado estadual pelo PCdoB nessas eleições, puxou a manifestação em frente ao edifício onde o humorista Eddy Jr foi vítima.

O ato reuniu artistas, ativistas e políticos, que vestidos de preto gritaram palavras de ordem e se posicionaram afirmando que a partir de agora toda agressão racial será respondida com manifestações na rua e não mais apenas com notas através da internet. Para Roger Cipó, no entanto, o manifesto não para por aí: o objetivo é fazer frente incisiva aos casos de  racismo no cotidiano nas mais diversas esferas a fim de interromper essa violência. 

“Sabemos que o racismo não vai acabar. Temos plena convicção que isso não vai acabar tão cedo porque a sociedade foi construída e estruturada através do racismo. Mas o que a gente tá fazendo mais uma vez é tentar juntar o máximo de pessoas em torno de uma ação que interrompa e seja constrangedora. É legítima defesa”, salienta. 

Na tarde desta terça-feira (24), a Justiça de São Paulo determinou que a aposentada Elisabeth Morrone mantenha distância de ao menos 300 metros de Eddy Jr, sob pena de prisão preventiva.

Apoio

Roger Cipó explica ainda que o movimento negro em geral tem se organizado em um tipo de vigilância sobre casos de racismo, para ter – além de enfrentamento – um acolhimento às vítimas de tais violências cotidianas. “Acolher. Se cuidar e se organizar”, diz ele. 

O fotógrafo destaca que embora o movimento tenha se organizado em um ato pontual – que envolvia Eddy Jr – a ideia do “agora vai ser assim” é também mobilizar personalidades da mídia, em especial os artistas, para se juntarem à causa antirracista e se colocarem à disposição dessa luta também. “Não existem estrelas na luta antirracista. Existem agentes de enfrentamento a essas violências”, salienta o ativista.

“Isso é importante e é uma forma também de chamar a atenção. Esse país, construído muito em cima de performance midiática, pouco dá atenção quando pessoas negras estão reivindicando seu direito de ser. Chamar pessoas de uma relevância pública é usar o alcance delas para ampliar esse grito”, ressalta. “Só vamos conseguir interromper a violência juntos e organizados”, completa. 

Manifesto

Depois do ato em defesa do humorista Eddy Jr, o movimento negro lançou um manifesto. Intitulado “Esse é um comunicado de homens negros organizados no Brasil”, o conteúdo publicado nas redes sociais é também um comunicado sobre o posicionamento que será tomado a partir de agora com relação aos casos de racismo que têm sido denunciados pela imprensa.

“Em resposta contínua a todo caos produzido e mantido por vocês, que atentam contra nossas vidas e o bem estar da nossa comunidade, agora vai ser assim”, diz o texto.

Em outro trecho, o manifesto ressalta que homens negros estão juntos para lutar de forma organizada contra o racismo: “Nós, homens negros organizados, nos organizaremos com nosso povo e estaremos em todo canto, para proteger nossa comunidade da covardia de vocês. Racistas covardes, trataremos vocês assim. Covardes”.

Roger Cipó explica que tanto o ato quanto o manifesto representam um recado do movimento “agora vai ser assim”, não só à vizinha de Eddy Jr, mas aos diversos casos de racismo que ocorrem diariamente. 

“Entendendo como o racismo é letal para a nossa gente, é importante também que a gente se coloque à disposição de uma luta, pois estamos em um cenário de guerra em que, até agora, somente nós, os negros, estamos morrendo”, finaliza. 

Leia também: ‘A população negra tem um grande potencial de alterar o sistema, diz especialista’

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