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Pai da psiquiatria no Brasil é negro e revolucionou o tratamento de transtornos mentais

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6 de janeiro de 2021

Juliano Moreira combateu o racismo científico e a falsa ligação da miscigenação a doenças mentais; o médico baiano é o homenageado do Doodle Google neste 6 de janeiro, data que marca os 149 anos de seu nascimento

Texto: Redação | Edição: Nataly Simões | Imagem: Domínio Público

Há exatos 149 anos, em 6 de janeiro de 1872, nascia em Salvador, na Bahia, um médico que viria a revolucionar sua área de atuação. Juliano Moreira se especializou em psiquiatria e lutou para combater o racismo científico e a falsa ligação de doenças mentais ao tom de pele. Essa figura histórica é a homenageada do dia na página inicial do Google, com uma arte no Doodle.

Considerado fundador da disciplina psiquiátrica no país, segundo o Brazilian Journal of Psychiatry, o médico é um dos grandes nomes de estudiosos relevantes para a história brasileira, muitas vezes apagados dos currículos escolares.

Nascido antes mesmo da abolição da escravatura no Brasil, era filho de uma mulher negra trabalhadora de uma casa de aristocratas no estado baiano. Algumas biografias indicam que ela mesma era escrava, enquanto outras apontam somente sua descendência de pessoas escravizadas.

O soteropolitano enfrentou diversos desafios para ingressar na Faculdade de Medicina ainda menino, com 13 anos. Aos 18, já estava formado e era um dos primeiros médicos negros do Brasil. Cinco anos mais tarde, se tornou professor de psiquiatria na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Moreira também foi reconhecido por humanizar o tratamento psiquiátrico, além de ter refutado teses de que a miscigenação estava atrelada a doenças mentais. Aos 31 anos, assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, onde extinguiu o uso de camisas de força, retirou grades de todas as janelas e separou pacientes adultos de crianças.

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Homenagem do Doodle Google ao psiquiatra Juliano Moreira.

Segundo a Academia Brasileira de Ciências, o trabalho desenvolvido pelo médico baiano corroborou com uma lei federal para garantir assistência médica e legal a doentes psiquiátricos.

Moreira também foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina legal e da própria academia, da qual foi presidente. O médico faleceu aos 61 anos, em Petrópolis, no interior do Rio, vítima de uma tuberculose. Após sua morte, um hospital na Bahia recebeu seu nome.

Com informações da BBC Brasil.

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