Um estudo realizado em 2024 com entregadores por aplicativo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro mostrou que 32% dos entrevistados vivem em domicílios com algum grau de insegurança alimentar. O relatório “Entregas da Fome” aponta que, desses, 13,5% enfrentam situações moderadas ou graves.
A maioria dos entregadores é composta por homens (93,9%), com idade entre 18 e 29 anos (60,2%), e que se declaram pardos (43,2%). Quase 75% trabalham para uma única empresa de aplicativo, e 91,5% consideram essa atividade sua principal fonte de renda. Apesar disso, 59,8% estão nesse trabalho há menos de dois anos, e 56,7% trabalham todos os dias da semana.
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Condições de trabalho e renda
Os entregadores enfrentam jornadas exaustivas, com 43,6% trabalhando até oito horas por dia. A maioria usa motocicletas (72,5%) ou bicicletas (21,7%) para realizar as entregas, e quase todos arcam com os custos dos equipamentos, como celulares e veículos. Apenas 27,8% contribuem para a previdência social, e a maioria paga por seguros de vida ou saúde sem apoio das empresas.
A renda familiar mensal de 65,1% dos entrevistados varia entre dois e cinco salários mínimos. No entanto, 43,2% têm renda per capita de apenas um a dois salários mínimos, e 41,4% dos entregadores ganham entre meio e um salário mínimo por pessoa.
No Rio de Janeiro, a diferença é maior: 45,6% dos entregadores têm renda mensal per capita de até meio salário mínimo, contra 19,1% em São Paulo. Além disso, trabalhadores que usam bicicletas mecânicas têm maior prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave (22,8%) em comparação com os que usam motocicletas (10,4%).
Saúde e hábitos alimentares dos entregadores
O meio de transporte utilizado também influencia no acesso à alimentação. Entregadores que usam bicicletas mecânicas (21,7% do total) enfrentam taxas de insegurança alimentar moderada ou grave quase duas vezes maiores (22,8%) do que os motociclistas (10,4%).
Apesar das condições adversas, a maioria (57,6%) considera sua saúde como boa. No entanto, os hábitos alimentares revelam problemas: quase metade (48,8%) consome refrigerantes ou bebidas à base de guaraná entre cinco e sete vezes por semana. O consumo de álcool também é significativo, com 42,9% fazendo uso regular de bebidas alcoólicas.
A pesquisa completa pode ser consultada no site oficial da Ação e Cidadania.