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Pesquisa: 3 a cada 10 entregadores de aplicativos vivem com insegurança alimentar

Segundo estudo da Ação da Cidadania, 32% dos trabalhadores de São Paulo e do Rio de Janeiro vivem em domicílios com algum grau de insegurança alimentar, incluindo fome moderada ou grave
Entregadores de aplicativos de entrega em greve fazem manifestação na frente da sede do iFood em Osasco (SP), em março de 2025.

Entregadores de aplicativos de entrega em greve fazem manifestação na frente da sede do iFood em Osasco (SP), em março de 2025.

— Paulo Pinto/Agência Brasil

3 de abril de 2025

Um estudo realizado em 2024 com entregadores por aplicativo nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro mostrou que 32% dos entrevistados vivem em domicílios com algum grau de insegurança alimentar. O relatório “Entregas da Fome” aponta que, desses, 13,5% enfrentam situações moderadas ou graves.

A maioria dos entregadores é composta por homens (93,9%), com idade entre 18 e 29 anos (60,2%), e que se declaram pardos (43,2%). Quase 75% trabalham para uma única empresa de aplicativo, e 91,5% consideram essa atividade sua principal fonte de renda. Apesar disso, 59,8% estão nesse trabalho há menos de dois anos, e 56,7% trabalham todos os dias da semana.

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Condições de trabalho e renda

Os entregadores enfrentam jornadas exaustivas, com 43,6% trabalhando até oito horas por dia. A maioria usa motocicletas (72,5%) ou bicicletas (21,7%) para realizar as entregas, e quase todos arcam com os custos dos equipamentos, como celulares e veículos. Apenas 27,8% contribuem para a previdência social, e a maioria paga por seguros de vida ou saúde sem apoio das empresas.

A renda familiar mensal de 65,1% dos entrevistados varia entre dois e cinco salários mínimos. No entanto, 43,2% têm renda per capita de apenas um a dois salários mínimos, e 41,4% dos entregadores ganham entre meio e um salário mínimo por pessoa.

No Rio de Janeiro, a diferença é maior: 45,6% dos entregadores têm renda mensal per capita de até meio salário mínimo, contra 19,1% em São Paulo. Além disso, trabalhadores que usam bicicletas mecânicas têm maior prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave (22,8%) em comparação com os que usam motocicletas (10,4%).

Saúde e hábitos alimentares dos entregadores

O meio de transporte utilizado também influencia no acesso à alimentação. Entregadores que usam bicicletas mecânicas (21,7% do total) enfrentam taxas de insegurança alimentar moderada ou grave quase duas vezes maiores (22,8%) do que os motociclistas (10,4%).

Apesar das condições adversas, a maioria (57,6%) considera sua saúde como boa. No entanto, os hábitos alimentares revelam problemas: quase metade (48,8%) consome refrigerantes ou bebidas à base de guaraná entre cinco e sete vezes por semana. O consumo de álcool também é significativo, com 42,9% fazendo uso regular de bebidas alcoólicas.


A pesquisa completa pode ser consultada no site oficial da Ação e Cidadania.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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