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Policial que matou homem com muletas na Operação Verão é morto por PMs em SP

Rahoney de Paula Vieira era um defensor das armas e está envolvido em uma das mortes na Baixada Santista de pessoas descritas como inocentes pela comunidade e familiares; Secretaria de Segurança Pública conta que ambos casos estão em investigação
O cabo do Comando de Operações Especiais (COE) Rahoney de Paula Vieira, morto durante ação policial no dia 29 de março de 2024, alvejado por agentes de segurança do 16º Batalhão da PM, que patrulhavam a Vila Andrade, na zona sul de São Paulo

Foto: Reprodução/Redes Sociais

5 de abril de 2024

Rahoney de Paula Vieira, cabo do Comando de Operações Especiais (COE), foi vítima de ação policial no dia 29 de março, sexta-feira. Ele foi alvejado por agentes de segurança do 16º Batalhão da PM, que patrulhavam a Vila Andrade, na zona sul de São Paulo. Rahoney de Paula Vieira recebeu atendimento, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.

Os agentes de segurança viram Rahoney de Paula Vieira, que estava de capacete e a paisana, com uma arma, em diálogo com um motorista de aplicativo, entenderam a atitude como suspeita e atiraram, segundo apuração do Metrópoles. Imagens mostram os policiais autores dos disparos em desespero tentando reanimar a vítima depois de perceberem ser um policial do COE. Eles ainda levaram o cabo para o hospital Albert Einstein, mas a vítima sofreu uma parada cardiorespiratória e faleceu.

Semanas antes, em 9 de fevereiro, na comunidade do Saboó, em Santos, Rahoney de Paula Vieira e Valci José Gouveia de Jesus viram dois homens, Leonel Santos e Jefferson Miranda. Os agentes de segurança afirmam que os dois atiraram contra os policiais, que revidaram as agressões e dispararam contra as duas vítimas. As famílias contam que os policiais impediram ajuda para os dois baleados e que o serviço de ambulância demorou duas horas para chegar ao local.

Rafael Souza, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, acredita que o caso de Rahoney de Paula Vieira demonstra as fraquezas do atual sistema de segurança pública. “O Secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e o governador, Tarcísio de Freitas, incentivam essa lógica do confronto. Então você vai construindo esse caldo, fica uma nuvem que deixa os policiais entendendo que isso está permitido como resultado”, explica. 

Ele também reforça que as duas ações estão em desacordo com os protocolos da polícia militar de São Paulo. “Os protocolos da polícia militar de São Paulo exigem a ordem de parada, ordem para que a pessoa largue a arma. Evidentemente me parece que nada disso foi feito”.

Rahoney de Paula Vieira era engajado nas redes sociais, com publicações em exaltação ao uso de armas. Em diversas postagens constam trechos bíblicos e mensagens como “estou amolando o facão”, como uma analogia de preparação para um combate.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou investir em equipamentos de menor potencial letal e em treinamentos para o uso progressivo da força, para evitar mortes em operações policiais. 

A pasta afirmou que o caso de Leonal Santos e Jefferson Miranda é investigado pelas policiais Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas Corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário. A SSP mantém a versão dos agentes de segurança de que as duas vítimas apontaram armas para os policiais em uma ocorrência de tráfico de drogas, que a dupla foi baleada, levada ao hospital e morta por não resistir aos ferimentos. O relato de testemunhas e provas obtidas pela Alma Preta contestam a versão da polícia.

A Secretaria de Segurança Pública também afirma que o caso da morte de Rahoney de Paula Vieira é investigado pela Polícia Militar e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e que até o momento o policial envolvido não foi afastado. “A Polícia Civil aguarda o resultado dos laudos, em elaboração, para análise e ouvirá testemunhas para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência”, afirma a pasta.

  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

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