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Professora realiza aulões de redação para custear tratamento de câncer raro

A potiguar e doutora em Linguística Aplicada, Natália Nobre sofre de Síndrome de Sézary, uma doença que ataca o sistema imunológico e que precisa de um tratamento em São Paulo; para ajudar os custos com a moradia temporária, aulas on-line de preparação para o ENEM serão oferecidas aos sábados

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Reprodução/Natália Nobre

Professora realiza aulões de redação para custear tratamento de câncer raro

20 de maio de 2021

Dar banhos nos filhos, lavar as mãos, a louça, ou, simplesmente, andar. Atividades básicas ligadas ao cotidiano, mas que são sinônimos de crise para a potiguar Natália Nobre, 35 anos. Desde março de 2020, a doutora em Linguística Aplicada foi diagnosticada com Síndrome de Sézary, doença rara que ataca o sistema imunológico e que causa ferimentos na pele. Como forma de ajudar as despesas que envolvem o tratamento, a professora dará aulões de redação on-line para o ENEM nos próximos sábados.

Educadora desde os 16, Natália lecionou na pré-escola, no ensino fundamental, no ensino médio e, por um longo período, no ensino superior. Foi, inclusive, enquanto dava aula como professora substituta da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em 2018, que começou a sentir os sintomas do que, mais tarde, seria diagnosticado como câncer. Pequenas manchas vermelhas foram se espalhando por sua pele, que, em alguns meses, sofria com um profundo ressecamento, além do clareamento da pele. O simples ato de lavar as mãos gera uma dificuldade no dia a dia. 

Após uma bateria de consultas e exames, a professora descobriu que estava acometida da síndrome que, no Brasil, atinge cerca de 200 pessoas e que, no mundo, apenas 1 a cada 10 milhões compartilham dos mesmos sintomas. Como forma de paliativo, um tratamento com remédio à base de corticóide foi passado, mas, o que é indicado para ser usado em curto prazo, havia chegado há um ano. O método era auxiliado por um creme para aliviar as agressões da doença contra a pele, um produto que, no mercado, custa em torno de R$100 e que, em tempos de crise, era usado um frasco a cada dois dias. 

Depois de meses de pesquisa em artigos científicos e em conversa com outros amigos educadores, a descoberta do tratamento, a fotoféres. Junto à descoberta veio uma surpresa: a dificuldade de acesso no país e os custos, que variam em média de R$15 até R$90 mil por sessão. Mesmo coberta pelo plano – o que só foi possível após 2 meses de judicialização – que pagará em torno de R$60 mil ao mês pelo tratamento. Natália, o marido e seus 3 filhos deverão passar uma média de 6 meses em São Paulo para que ela possa fazer as sessões.

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“Esse tempo faz parte da primeira etapa que os médicos que me acompanham propuseram, trabalhando com dois atendimentos a cada quinze dias. O período total para a diminuição das sessões vai depender da reação do meu organismo, com a queda das células doentes presentes no meu organismo e a produção de anticorpos viabilizados pelo tratamento”, explica Natália. 

E foi em busca desse apoio para os custos na capital paulista que ela resolveu promover aulões solidários de redação para o ENEM. Com a colaboração de amigos professores do IFRN, IFRJ, UFRN, UNIRIO, UFF e SESI Escola, os aulões serão ministrados nos próximos três sábados, 22 e 29 de maio e 5 de junho, e contarão com a participação das pessoas que estejam interessadas em se preparar para processos seletivos. 

“Tanto para contribuir com quem está se preparando para o exame, muitos alunos e ex-alunos, não só meus, mas do meu esposo também que é professor, tem contribuído com a minha busca pelo tratamento, não só financeiramente, mas com mensagens de carinho e apoio. Pela maior parte dos amigos serem professores, tivemos essa ideia de fazermos um aulão pensando na redação e como resposta aos cuidados comigo por essa rede”, pontua.

Um dia antes do início de lecionar as atividades da campanha, Natália estará com a guia de autorização do plano de saúde para o início de uma avaliação clínica e o recebimento das primeiras dosagens do tratamento, que tem como previsão entre os dias 10 e 15 de maio. Apesar dos percalços, a professora mantém a esperança de que a melhora está cada vez mais próxima e os avanços na ciência também. “Acredita que, nessa primeira etapa, seja o tempo das pesquisas avançarem e descobrirem alguma medicação curativa completamente”, torce e finaliza. 

Dividido, inicialmente, em três módulos (estrutura dos textos argumentativos, construção de parágrafos e construção de repertório), o curso ‘As Trilhas do Texto Argumentativo’ já está com link disponível. Outras informações sobre os aulões gratuitos e a campanha em prol do tratamento de Natália podem ser encontradas no perfil do Instagram criado recentemente, o @professoranatalianobre.

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