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Em passagem por Recife, Caravana das Periferias lança Prêmio Periferia Viva para combater escassez de políticas públicas

De passagem por diversos municípios, a ação também pretende mostrar que as favelas são mais do que territórios de vulnerabilidade, são grandes potências

Texto: Ane Barbosa | Foto: Divulgação

Imagem mostra a entrada de um imóvel com informações sobre a Caravana das Periferias no Recife escritas em uma parede com o fundo amarelo.

Foto: Foto: Divulgação

25 de julho de 2023

Cerca de 17,1 milhões de brasileiros vivem hoje em regiões periféricas no Brasil, esse número representa 8% da população. A história também mostra que essas pessoas sempre lutaram por melhorias em suas condições de vida devido à escassez de políticas públicas.  Esse é o maior objetivo da Caravana das Periferias, uma ação do governo federal através do Ministério das Cidades, que percorre territórios periféricos de municípios por todo o Brasil para identificar, reconhecer e mobilizar agentes territoriais coletivos e iniciativas organizadas por movimentos sociais para conceber políticas públicas conectadas com as demandas atuais da sociedade, especialmente após a pandemia de Covid-19, quando diversas pesquisas revelaram a crescente desigualdade no Brasil.

Os eventos de maior porte serão essenciais para ampliar o objetivo. Em junho, o projeto passou pelo Centro Comunitário da Paz (Compaz) Dom Hélder Câmara, no Recife, Pernambuco, onde foram executadas diversas ações para dialogar com as lideranças e estabelecer contato com o poder público local. Além de Belém, que já recebeu a Caravana, o projeto também passará por Porto Alegre e São Paulo.

O encontro na capital pernambucana reuniu cerca de 800 pessoas e contou com o show de artistas locais como a cantora Bell Poã, cria do movimento do slam e do hip hop e a poeta marginal Bione, além de representantes governamentais como o prefeito do Recife, João Henrique Campos, e o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.

“Cuidar de uma cidade demanda a capacidade de fazer junto, e para fazer junto tem que ouvir. Então a Caravana das Periferias é uma ação muito importante para poder endereçar as soluções certas através da coparticipação”, afirmou o gestor municipal, em entrevista à Alma Preta Jornalismo.

Para alcançar o sucesso, a ação busca mapear a diversidade de iniciativas locais para demonstrar a potência existente nas periferias. A partir deste mapeamento, uma base de informações será consolidada para o Governo Federal formular políticas multissetoriais que dialoguem com a realidade dos territórios que mais precisam de investimentos.

A jornalista Lenne Ferreira, editora do Portal Afoitas, enxerga na ação do Governo Federal uma saída para construir um Brasil melhor. “É importantíssima essa ação no Recife, ouvindo e entendendo as demandas da comunidade, entendendo o que a juventude preta está pautando nos territórios. Essa é uma forma, sim, de construir políticas públicas e construir mudanças na vida das pessoas”, disse.

O ministro das Cidades também trouxe a importância da escuta como principal papel do movimento para entender além do que a periferia pensa em relação ao Ministério das Cidades. “Aqui vamos falar sobre educação, segurança, saúde e outros temas. Então hoje é um dia muito importante, mas acima de tudo é um dia de ouvir, para que depois disso a gente possa, de maneira transversal, levar os diversos temas para os outros ministérios e transformá-los em políticas públicas do Governo Federal”, ressaltou.

Prêmio Viva Periferia

Lançada com o intuito de aproximar o Ministério das Cidades da população periférica, a Secretaria Nacional de Políticas para os Territórios Periféricos foi fundamental para o projeto sair do papel.

“Durante muitos anos, muitas décadas, as periferias brasileiras viveram com um grande déficit de políticas públicas por um estado muito ausente. A oportunidade que nós estamos tendo agora de trazer investimento público e de contar com o apoio da prefeitura de Recife e do Ministério das Cidades com a criação da Secretaria Nacional de Periferias, nos dá a oportunidade de retomar a relação que o estado brasileiro tem com as periferias”, relatou o representante da pasta, Guilherme Simões Pereira.

Uma de suas primeiras ações, o Prêmio Periferia Viva, lançado durante a Caravana, busca reconhecer e estimular iniciativas periféricas que visem o desenvolvimento socioterritorial e, com isso, contribuir para melhores condições de vida nas periferias através da garantia da diversidade nos projetos premiados.

Para o secretário, a Caravana possui a missão de entender as demandas e atualizar a relação entre o Governo e os brasileiros e o prêmio, por sua vez, “vem como uma das formas de reconhecer essas iniciativas que constroem uma economia da sobrevivência do nosso povo”.

“A ideia é que a gente mostre para a sociedade brasileira que a periferia não é apenas um território de vulnerabilidade, de problemas sociais de violência ou de criminalidade, como muitas vezes é visto, mas que a periferia tem muitas potências, muita resiliência e um ambiente muito efervescente, especialmente quando a gente observa o protagonismo das mulheres pretas. Existe um potencial muito grande que a gente quer transformar em políticas públicas”, explicou Pereira.

“Falar do prêmio é entender que o Governo está reconhecendo a valorização que os coletivos têm dentro dos seus territórios e comunidades. […] Estamos muito felizes e esperamos que essas políticas tenham continuidade e que assim, possamos fazer uma política efetiva e participativa dentro dos nossos territórios”, complementou Yane Mendes, coordenadora da Rede Tumulto.

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