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Suposta ‘queima de arquivo’ de acusado de matar Marielle Franco não é investigada

Documentação do caso não aponta a possibilidade de tentativa de execução de Ronnie Lessa; único projétil encontrado na cena do assalto contra o sargento reformado da PM desapareceu

11 de dezembro de 2019

Policiais afirmaram, em sigilo ao portal UOL, que as circunstâncias de um assalto sofrido por Ronnie Lessa, suspeito de participar do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018, deveriam ser investigadas para averiguar se houve tentativa de “queima de arquivo”.

A documentação do processo, segundo o portal, aponta que essa possibilidade não foi considerada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Em 27 de abril de 2018, um mês e meio após o assassinato de Marielle e Anderson, o sargento reformado da Polícia Militar estacionou o carro em frente ao restaurante Varandas, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), onde costumava almoçar às sextas-feiras.

Segundo testemunhas, Lessa foi surpreendido por Alessandro Carvalho Neves, que estacionou a moto em um quiosque próximo ao restaurante e se aproximou do sargento reformado da PM anunciando o assalto. Neves fugiu após roubar o relógio de Lessa e atingi-lo com um tiro no pescoço.

O assaltante, de Taboão da Serra (SP), foi condenado a 13 anos e 4 meses de prisão por latrocínio (roubo seguido de [tentativa de] morte). Até a data do assalto em abril do ano não havia registros de crimes cometidos por Neves no estado fluminense.

O processo que levou a sua condenação não traz nenhuma explicação do que ele fazia no Rio de Janeiro em abril do ano passado e se foi o acaso que o fez escolher como vítima Ronnie Lessa, acusado posteriormente pelo MP-RJ como assassino de Marielle e Anderson.

A cena do crime não foi periciada e o MP-RJ pediu perícia no único projétil encontrado no local, mas o material nunca chegou ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli. O revólver e moto que Neves utilizou no assalto também sumiram.

Ligação de Ronnie Lessa com o assassinato de Marielle e Anderson

Acusado de ser o autor dos disparos que matou Marielle Franco e Anderson Gomes, Ronnie Lessa foi preso em 12 de março de 2019, quase um ano após o assassinato. O sargento reformado da PM nega ter envolvimento na morte da vereadora e do motorista e foi preso no condomínio onde morava na Barra da Tijuca, o mesmo onde o presidente Jair Bolsonaro e o filho Carlos Bolsonaro têm dois imóveis.

Até hoje, não há informações concretas sobre a motivação do assassinato e quais foram os mandantes.

  • Redação

    A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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