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Universidade afrocentrada quer valorizar intelectualidade negra na academia

O objetivo é estabelecer diálogos étnico-raciais no ambiente universitário; conheça os cursos com inscrições abertas e as perspectivas para o futuro da Unafro

Texto: Caroline Nunes | Edição: Nataly Simões | Imagem: Agência Brasil

Imagem mostra rapaz negro de costas, sentado e segurando um caderno em uma sala de aula de universidade

28 de abril de 2021

A Unafro (Universidade Livre de Comunicação e Sociologia Afro-Brasileira) é um centro educacional paulistano independente, que busca promover a igualdade racial no ambiente acadêmico. Fruto de uma rede solidária entre ativistas, intelectuais, artistas e líderes comunitários, a universidade visa o debate urgente sobre racismo na sala de aula, com o objetivo de educar os interessados – de todos os níveis de ensino – de maneira humanizada e plural.

A ideia de transformar a Unafro de um sonho distante para a realidade tem sido amadurecida nos últimos quatro anos. É o que conta o co-fundador Tadeu Matheus. De acordo com o professor e sociólogo,  a criação da universidade foi motivada pelo questionamento de pesquisadores sobre as narrativas inseridas nos ambientes acadêmicos – tanto públicos como privados.

“As universidades em geral ainda insistem em empregar em sua grade curricular bibliografias de pensadores conectados à intelectualidade brancocêntrica e europeia. A Unafro parte da ideia de inserir conteúdo acadêmico feito por pretos, pretas e indígenas para trazer uma nova leitura crítica sobre a construção social brasileira”, explica Tadeu, que também é mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP (Universidade de São Paulo).

Cursos

Os cursos da Unafro buscam transcender historicamente a colonialidade, subverter o padrão de poder colonial e utilizar bibliografia afrocentrada. Autores negros como Silvio de Almeida, Abdias do Nascimento, Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento terão visibilidade e a devida importância na grade curricular.

A universidade oferece cursos livres, semipresenciais e à distância, com disciplinas que abordam aspectos das relações étnico-raciais na formação da sociedade brasileira. A base disciplinar é formada pelas áreas das ciências sociais em geral, com foco em antropologia, economia, filosofia, história, jornalismo, pedagogia, política, psicologia e sociologia.

Com inscrições abertas, um dos cursos é de extensão e sobre o tema: “História da Ciência e Tecnologia na África e Maafa”, ministrado pelo mestre Carlos Machado. Na área de cursos livres, destaca-se  “Ladeiras da Memória: Uma intervenção negro-literária na paisagem”, ministrada por Abílio Ferreira, professor, escritor, jornalista, e especialista em Cidades, Planejamento Urbano e Participação Popular.

A palestra “Relações Raciais e Direitos Humanos” também está com inscrições abertas e será ministrada por Deise Benedito, mestre em Direito e Criminologia. “Esse tema proposto pela Deise é de muita importância, pois aborda a questão do encarceramento em massa da juventude negra”, salienta Tadeu.

Nos próximos dois meses também serão oferecidos os seguintes cursos: “Ancestralidade e Oralidade, história social do samba no Brasil”; “Educação Antirracista: Fundamentos e Práticas”; “Estado brasileiro, Educação e Encarceramento em Massa”; “Aspectos de uma economia Neocolonial”: “O Estado e a redistribuição da renda”; “Teatro experimental do Negro e a Censura em São Paulo”; “Pedagogia Descolonial – Proposições Teórico-Metodológicas para a efetiva Educação Antirracista”; e “História Indígena no Brasil”.

Segundo Tadeu, os valores dos cursos se propõem a atender o maior número de pessoas: ideal (R$ 120), justo (R$ 100) e social (R$ 80). Para o professor, essa é uma forma de conseguir oferecer educação por um valor que pessoas em vulnerabilidade social possam pagar sem fazer falta no orçamento delas.

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Campus e intercâmbio

O co-idealizador conta que uma das perspectivas de futuro da Unafro é a criação de um campus em outras regiões do Brasil, o que já está sendo providenciado em Salvador (BA) e no Rio de Janeiro (RJ).

“Se a situação da pandemia melhorar, a Unafro finalmente poderá ter aulas presenciais em São Paulo, Rio e Bahia. É o que queremos para o segundo semestre de 2021”, adianta Tadeu.

A fim de conseguir uma interação maior com os países da América Latina, o sociólogo também cita a possibilidade de programas de intercâmbio pensados para a elaboração de pesquisas coletivas sobretudo voltadas a questões raciais.

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