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Clube das Divorciadas: série aborda a busca por autoconhecimento e descoberta da relevância

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22 de janeiro de 2021

Com mais de 40 anos de idade, três amigas se reaproximam após o divórcio e fazem novas descobertas sobre suas próprias vidas; a série dos anos 90 ganhou releitura com atrizes negras 

Texto / Flávia Ribeiro | Edição / Lenne Ferreira | Imagem / Divulgação

Mesmo sendo baseada em uma comédia dos anos 90, a série o “Clube das Divorciadas”, de 2019, traz algumas diferenças e a primeira é visual: o elenco é formado por pessoas negras. As protagonistas, a médica Bree (Michelle Buteau), a advogada Ari (Ryan Michelle Bathe) e a cantora, Hazel (Jill Scott), todas casadas, com mais de 40 anos de idade, certo tempo em suas carreiras profissionais, se afastaram, mas voltam a se unir quando Hazel descobre que está sendo traída pelo marido e a situação viraliza na internet.

Li resenhas sobre a série dizendo que assim como na comédia dos anos 90, a premissa do filme era a vingança das mulheres. Mas isso não é verdade. Eu assisti a comédia, quando ainda era uma adolescente, mas a série chega a mim quando me encontro quase na mesma fase de vida que aquelas mulheres. A identificação foi imediata e os episódios falam, na verdade, sobre uma jornada em busca do autoconhecimento e sobre o que deixamos para trás em nome de uma relação, em nome das pessoas a quem amamos.

Ari é uma advogada brilhante, mas deixa a carreira de lado para se dedicar ao projeto político do marido, que se lança como senador. Em determinados momentos, ela tem que diminuir seus anseios e brilhantismo para caber nas aspirações do companheiro. Ari tenta manter a aparência de uma família perfeita como sempre foi planejado, de um casamento exemplar, até que percebe que está sufocada nesse enredo.

Bree é uma médica que gosta e se dedica ao trabalho. Ela tem dois filhos, crianças ainda, e está em processo de separação após descobrir que foi traída. O cuidado diário com as crianças, as reuniões de pais na escola, tudo sempre ficou sob a responsabilidade do marido e ela precisa lidar com uma nova rotina.

Hazel é uma cantora que trabalha ao lado do marido, seu produtor. Em meio aos holofotes e flashes de câmeras, ela desconfia que está sendo trocada por uma cantora mais nova e não só no trabalho. O que é confirmado depois, nas redes sociais. O divórcio é daqueles que rende manchetes. Ela é colocada para fora da cobertura que comprou com a venda de um dos seus álbuns, fica sem dinheiro e vê todas as portas se fechando para ela.

As amigas se unem para ajudar Hazel, mas as outras descobrem que também precisam de ajuda. Há momentos de conflitos entre elas, afinal, se olhar no espelho e se enxergar de verdade quase nunca é fácil. Entre conquistas e muitas frustrações, há a sensação de que bem pouco foi feito com a vida. Ao mesmo tempo que formamos consciência de que não somos tão jovens, ainda termos tanto para viver.

A intenção era ver um filme para aproveitar o recesso do fim de ano e o que me chamou a atenção foi o elenco. Só no meio descobri que era uma série e depois, fiz outras descobertas e reflexões. Quantas vezes abrimos mão de algo que queríamos em nome de alguém e isso foi visto como algo natural, como se o nosso papel fosse esse e o objetivo do outro fosse mais importante e prioritário?

A série aborda que a idade, o peso do tempo sobre os nossos corpos, os planos frustrados, os gritos e choros sufocados não nos definem. O enredo é, na verdade, sobre saber ouvir nossa própria voz e descobrir que ainda somos relevantes!

*No Brasil, a série está disponível da GloboPlay.

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