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‘Não é simplesmente uma casa de samba’: conheça o Galpão ZN, espaço da cultura negra em SP

Frequentemente lotado, espaço é conhecido pela conexão com o samba e o sentimento de pertencimento da negritude

Imagem mostra pessoas negras curtindo um show de samba no Galpão ZN.

Foto: Divulgação

1 de junho de 2023

“Emoção” é uma palavra bastante usada pelo público para descrever o Galpão ZN. São comuns comentários que dizem que o espaço tem “algo especial” e o proprietário Marco Santos concorda.

Para ele, o pertencimento é justamente uma das propostas da casa. “O povo preto olha pra cá e se identifica porque aqui é uma casa preta, de um cara preto, pensando no povo preto”, diz Marco, em entrevista à Alma Preta.

Localizado na Vila Maria, bairro da Zona Norte de São Paulo, o Galpão ZN se tornou referência para a cultura do samba na cidade. O mural colorido homenageia algumas das referências no samba do empresário responsável pelo local.

“Nas minhas paredes eu tenho todos os sambistas que marcaram minha vida. Eu começo lá em Madureira, e termino com Almir Guineto, bem grande”, conta.

Apesar de contar com atrações como Quintal da Magia, Leandro Augusto, e Netinho de Paula, o diferencial da iniciativa é o próprio público, que não só lota os eventos constantemente, como demonstra muito afeto pelo ambiente.

O samba e o candomblé também se encontram nas rodas do Galpão ZN. Na agenda, o grupo Samba de Caboclo ressalta os ritmos das religiões de matriz africana e costuma atrair público, normalmente com casa cheia.

Nas terças-feiras, o projeto “Voz do Nosso Povo”, de autoria da casa, não só envolve o público no samba, como o convida a cantar junto. O resultado é um coro musical potente, puxado pelos sambistas e composto pelo público acalorado.

Sambista raíz

“O Galpão não é simplesmente uma casa de samba, né? Eu costumo dizer que é uma extensão de quem eu sou.” Sambista raíz e carioca, Marco tinha a intenção de ter um local que trouxesse a sua identidade e conseguiu construir um espaço que gerou identificação com toda a comunidade do samba na cidade.

Junto de familiares e amigos, Marco imprimiu personalidade no que antes era apenas um galpão vazio. A reforma do local levou dois meses para ser concluída e materializar o ambiente que desejou para o samba na cidade.

Em pouco mais de seis meses da abertura, que aconteceu em dezembro de 2022, o espaço se tornou referência na cidade, não só pelo calendário e os convidados, mas pela estrutura oferecida pela casa. Bares com capacidade ampliada, banheiros pensados para evitar filas e até mesmo um reforço no armazenamento de água, são algumas das soluções que Marco Santos trouxe para oferecer a melhor experiência. O público adulto é pagante, porém, as crianças podem aproveitar gratuitamente até os 11 anos, o que reforça o cuidado com a acessibilidade do público.

Mesmo com sucesso, Marco Santos tem pensado no futuro do espaço e almeja trazer para o Galpão ZN outros ritmos que também o influenciaram. Ele chegou a fazer parte de grupos de dança nos anos 2000 da Black Music, gênero que também o moldou na juventude. Por isso, ele pretende desenvolver projetos de Baile de Black para o Galpão. “Eu quero retomar com a Black Music, que é muito importante para mim”, adianta.

Imagem mostra o Samba do Caboclo, uma das atrações do Galpão ZN.Samba do Caboclo, uma das atrações do Galpão ZN. | Foto: Divulgação

Relação com escolas de samba

O Galpão ZN está em um terreno fértil para o samba paulista, a região da Zona Norte, que reúne grandes escolas da cidade, como a Unidos de Vila Maria, a Rosas de Ouro, Mocidade Alegre e a Unidos do Peruche, por exemplo. A relação entre o Galpão e as escolas não se limita ao território e acontece também na organização de eventos que promovem a cultura do samba paulista.

Marco é diretor de eventos da escola Camisa Verde e Branco e foi responsável pela produção da festa de lançamento do enredo de 2024, realizada na Fábrica do Samba. Com o tema “O Imperador nas terras do Rei”, o enredo celebra Oxóssi e ainda homenageia a trajetória do ex-jogador Adriano Imperador.

Almir Guineto, outro homenageado por Marco, também frequentou o Camisa Verde e Branco. Sambista tradicional e um dos maiores compositores brasileiros, ele foi um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal. A bibliografia do grupo, escrita pelo jornalista Marcos Salles, conta que o início do grupo foi justamente nas rodas do bloco Cacique de Ramos, outro frequente convidado ao Galpão ZN.

Leia também: Carnaval é uma ferramenta antirracismo religioso, dizem especialistas

Serviço:

Galpão ZN

Onde: R. Severa, 212 – Vila Maria Baixa, São Paulo – SP

Horários: sexta-feira das 19h às 00h30, sábado das 13h às 23h e domingo das 14h às 22h.

Agendada e ingressos no Sympla.

  • Verônica Serpa

    Graduanda de Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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