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Encontro Internacional das Artes Pão e Tinta revela trabalho de artistas periféricos

Evento é realizado pelo coletivo Pão e Tinta, que atua na Comunidade do Bode, no Recife, promovendo atividades sociais e culturais, além de fortalecer a economia criativa da arte urbana

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira / Imagem: Divulgação 

Encontro Internacional das Artes Pão e Tinta democratiza o acesso à arte no Recife

8 de abril de 2021

Reunindo mais de 50 artistas e com uma programação de três dias que envolve música, debates e um leilão, o 9º Encontro Internacional das Artes Pão e Tinta se firma como um dos mais importantes eventos de arte urbana do Brasil. Ação estimula a visibilização de obras de artistas visuais na capital pernambucana promovendo a democratização do acesso à arte e fortalecendo a economia criativa. Com o tema ‘Sobre-vivência periféricas’, o encontro é idealizado e gerido por artivistas do Coletivo Pão e Tinta, composto por jovens da Comunidade do Bode, na Zona Sul da Recife.

Um dos destaques da programação é a edição especial do ‘Leilão Pão e Tinta’ conta com obras de 51 artistas locais, que serão vendidas ao vivo pelo YouTube, às 18h, nesta sexta-feira (9).  O leilão segue o conceito/objetivo do evento como um todo é aquecer o comércio local de produções de artistas negros (as) e perifericos (as). Como forma de ajudar toda uma cadeia em situação de insegurança financeira, devido às problemáticas socioeconômicas envolvendo a pandemia pela covid-19, os recursos levantados pela venda das obras vão ser revertidos para manutenção e desenvolvimento dos projetos sociais e culturais da Comunidade do Bode. Aliás, ao longo de toda crise sanitária, o coletivo conseguiu remunerar mais de 400 artistas por meio de ações diversas.

stiloo1Acelerador social, Pedro Stilo faz parte do coletivo que promove ações educativas na comunida da Zona Sul do Recife

Para um dos integrantes do Coletivo Pão e Tinta, o acelerador social, Pedro Stilo, esta plataforma cultural sempre teve como mote a revitalização e criação de acessos à arte na periferia. “Nosso intuito sempre foi pensar formas de traduzir sentimentos e a identidade da comunidade com uma comunicação acessível e contada por quem vive ali, de fato. Para isso, buscamos trazer um debate sobre a importância de uma economia criativa e o fortalecimento da produção negra e periférica da região”, afirma. Na edição desse ano, a coordenação geral colegiada ficou por conta da produtora e advogada Jéssica Jansen, da cantora e produtora Michele Monteiro e da antróologa, Maria Rocha. 

Como um evento também de formação, o encontro promove estratégias de geração de renda, de fortalecimento da identidade cultural, da autoestima e do sentimento de pertencimento comunitário através da arte urbana, de oficinas de inclusão social e digital, rodas de diálogo, assim como a revitalização de espaços comerciais, educativos e outros marcados pela violência dentro do território. O coletivo conta com uma sede, onde foram as gravadas todas as lives que compõem a programação, atendendo todos os protocolos de segurança. 

Uma das beneficiadas pela ferramenta de vendas on-line, Nefertiti Negra, afirma que o evento também possibilita o fortalecimento financeiro durante cenários adversos e de desigualdade de gênero, como a retenção de recursos voltados à cultura, antes mesmo de um cenário de crise sanitária. “Para nós, mulheres negras e periféricas, que somos mães também, o acesso e a criação de arte tem um peso muito maior, por muitas vezes a própria cena da pintura, por exemplo ser, além de elitizada, um ambiente de machismo. Um ambiente que pode não abrir espaço para nós e nossa maternagem artística, nosso artivismo”, pontua a artista. 

Programação

O evento está previsto para começar na tarde desta sexta-feira (9), às 15h, com a Roda de Diálogo “Sobre-Vivências Periféricas” e segue, às 17h, com as mostras de audiovisual e graffiti. Já às 18h, acontece o ‘Leilão Pão e Tinta’, apresentado pelos artistas Rebecca França e Shell Osmo, com programação intercalada por apresentações dos  DJs Rosinha, HTTP e Faxa MC. 

No dia 10, das 15h às 17h, acontecerão as oficinas de Técnicas Artísticas, facilitada por Lis de Hórus; de Mídias Sociais, facilitada por Ingrid Casadevall; e de Fotografia Digital com Smart Phone, facilitada por Firmino. Às 17h haverá uma mostra de graffiti e audiovisual, e, a partir das 18h,acontecerão os shows (alguns gravados e outros ao vivo) de MC Vinição, DJ HTTP, Pierre DuMangue e 21 OPT, DJ Karla Gnom, Rayssa Dias, Sony e Calango, Deox/Mirim e da rapper Adelaide. 

O encontro encerra no dia 11, domingo, com uma troca de saberes, que conta com a participação das marisqueiras Amarina Rodrigues e Mirela Lourenço e da pescadora Maria Edna do Nascimento. Já às 18h, as apresentações de MC Margot, DJ Rosinha, Teteu Batatinha, Nanny Nago, Okado Canal, Bixarte, Stiff, Léo da Bodega, e o projeto Barbarize, que irá apresentar ao vivo o seu primeiro álbum visual.

O evento tem como incentivo a Lei Aldir Blanc, promovida pela Secretaria de Cultura e viabilizada pelo Governo de Pernambuco. Além dos custos de produção, o auxílio financeiro propiciou uma ajuda de custo para quem esteve e está envolvida na realização do projeto. 

Homenagem à uma mãe negra 

Nesta edição, a atividade de graffiti nas ruas da Comunidade do Bode homenageia Dona Silvonete Santos, mãe do grafiteiro Pedro Stilo e dos jovens Lucas e Mateus Santos, que foi alvejada por uma bala perdida há 19 anos. O beco, onde a moradora foi vitimada, ganhou cores e vida com os painéis de graffiti feitos pelos artistas do Coletivo, passando a ser um novo cenário e espaço cultural dentro da favela. 

Um documentário estará sendo gravado durante a realização do evento e abordará as ações realizadas pelo Coletivo Pão e Tinta que se reinventou durante a pandemia, conseguindo gerar renda para a juventude periférica, remunerando desde 2020, cerca de 80 pessoas a partir das vendas nos leilões ao vivo. 

Para mais informações, acesse a página do Coletivo Pão e Tinta ou o Canal da Palaffit Produções

Leia também: Plataforma multicultural do Piauí seleciona artistas negros (as) do Brasil

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