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‘Enquanto as livrarias fecham, eu vou atrás do meu leitor’, afirma Hamilton Borges

Em entrevista ao Alma Preta, o escritor e militante do movimento negro falou sobre sua trajetória, suas inspirações e seu primeiro romance baseado em fatos reais

19 de agosto de 2019

Maloqueira e quilombista, é assim que o escritor e militante do movimento negro Hamilton Borges descreve a narrativa de suas obras.

Com três livros publicados em menos de três anos, o autor afirma que seu objetivo é abordar as vivências de pessoas negras.

“Os escritores brancos e heterossexuais falam deles, então a gente deve falar das nossas questões, que são universais também”, afirma.

Nascido e criado em Salvador, Hamilton Borges teve contato com a literatura ainda na infância. Contudo, só publicou seu primeiro livro aos 50 anos de vida.

“A literatura sempre esteve presente em minha vida. Eu sempre fui escritor, mas não publicava meus trabalhos porque negros não tinham facilidade para acessar o mercado editorial”, conta.

Hoje não há obstáculos que o impeçam de chegar aos seus leitores. “É necessário ir nas comunidades, fazer rodas de leitura, uma série de coisas. O público de escritores negros existe e compra”, explica.

O autor baiano lembra que em seu segundo lançamento na Galeria Olido, na cidade de São Paulo, chegou a vender 110 livros. De acordo com a estimativa dele, a média de um autor branco e de classe média é de 70 exemplares.

“Enquanto as livrarias estão fechando e as editoras quebrando, eu vou atrás do meu leitor. Eu vendo meus livros no metrô ou em qualquer outro lugar”, pontua.

Obras publicadas

Hamilton Borges lançou neste mês, pela editora Reaja, seu primeiro romance. A obra chamada “O Livro Preto de Ariel” traz fatos reais ocorridos na capital baiana, entre eles a chacina do Cabula.

O autor conta que escrever um romance foi um dos grandes desafios que enfrentou no decorrer de sua trajetória.

“Eu enfrentei um desafio que foi abordar situações que ninguém quer falar, como o genocídio do povo negro e questões que envolvem o sistema prisional”, relata.

Segundo Hamilton Borges, sua mais nova obra literária é, sobretudo, uma prova de como a escrita é libertadora.

“Ariel é um menino que gosta muito de escrever e quando ele se vê em um lugar onde não há essa possibilidade [a prisão], ele passa a escrever na parede. Um escritor precisa fazer isso para não morrer. Muitas vezes a escrita foi minha salvação”, explica.

Em 2017, Hamilton também lançou “Teoria Geral do Fracasso”, que reúne poesias escritas desde a década de 1980. O livro é composto por três momentos.

O primeiro é destinado à casa, parte em que o autor traz suas referências familiares e a influência das mulheres de sua vida. O segundo é sobre a rua, onde retrata as consequências do racismo e o enfrentamento ao genocídio. Já o terceiro retrata as pessoas que compõem o sistema de encarceramento.

Familiarizado com o universo dos contos, em 2018 o escritor publicou “Salvador, Cidade Túmulo”, obra que traz situações envolvendo a forma como os moradores da cidade enfrentam situações de violência e assassinatos.

Serviço:

Para adquirir os livros de Hamilton Borges, envie um e-mail para [email protected] ou [email protected] ou entre em contato com o autor por meio do Facebook ou Instagram.

  • Nataly Simões

    Jornalista de formação e editora na Alma Preta. Passagens por UOL, Estadão, Automotive Business, Educação e Território, entre outras mídias.

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