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Leônidas, o craque negro que foi o autor do 1º gol de bicicleta da história

A jogada foi executada pelo Diamante Negro com a camisa do Bonsucesso, em partida contra o Carioca, em 1932

Imagem: Reprodução/São Paulo Futebol Clube

Foto: Imagem: Reprodução/São Paulo Futebol Clube

1 de dezembro de 2022

O gol de voleio do camisa 9 Richarlison contra a Sérvia há uma semana foi impressionante e destaque na imprensa nacional e internacional. No entanto, um dos lances mais bonitos e difíceis que um jogador pode executar é o gol de bicicleta, recurso que une qualidades como bom tempo de bola, elasticidade e explosão.

De costas para o gol, o jogador se joga para trás, impulsiona o ar com uma perna e bate na bola com a parte de cima do outro pé. A jogada exige raciocínio rápido, o que não faltou na carreira do jogador negro Leônidas da Silva, atleta consagrado pela habilidade mostrada no registro do primeiro gol de bicicleta, em 1932, no Rio de Janeiro.

Brilhante e considerado o ídolo do futebol na era pré-Pelé, Leônidas jogou duas copas do mundo e foi campeão por todos os grandes clubes que defendeu, mas a jogada que marcou seu nome na história do futebol foi executada com a camisa do Bonsucesso, em partida contra o Carioca.

O primeiro gol de bicicleta

Há quem diga que quem criou o gol de bicicleta foi o brasileiro Petronilho de Brito. Outros historiadores e esportistas afirmam que o inventor foi o espanhol naturalizado chileno Ramón Unzaga Asla. Ele teria marcado um gol de bicicleta contra a Argentina durante a Copa América de 1920. Por causa dele, a jogada foi batizada de “chilena”, e é assim chamada até hoje pela população de países de língua espanhola.

Porém, quem imortalizou e tornou mundialmente conhecida a bicicleta foi um jogador brasileiro negro: Leônidas da Silva. A primeira vez que o atacante apresentou a sua bicicleta foi em 24 de abril de 1932, aos 19 anos, numa partida entre Bonsucesso e Carioca. Devido à elasticidade da jogada, ele também era chamado de Homem-Borracha por parte da imprensa esportiva.

Gol de bicicleta de Leônidas da Silva | Créditos: Gazeta EsportivaGol de bicicleta de Leônidas da Silva | Créditos: Gazeta Esportiva

Leônidas continuou a jogar em alto nível pelos gramados durante toda a carreira. Consolidou sua paternidade sobre a bicicleta graças à execução do lance na Copa de 1938, na França, impressionando torcedores das mais variadas nacionalidades.

Carreira

Nascido em São Cristóvão, Leônidas era filho de Manoel Nunes da Silva e Maria da Silva. Era um menino simples de São Cristóvão, bairro da zona residencial e comercial do Rio de Janeiro. Embora tenha concluído os estudos primários e o colegial em escolas daquele bairro, Leônidas queria se dedicar ao futebol. Ainda bem jovem, começou a praticar o esporte, então amador no Brasil, nas peladas na Ponte dos Marinheiros.

Já aos 13 anos, destacava-se no time juvenil do São Cristóvão. Em 1926, ele também passou a defender outros clubes do bairro, como o Havanesa, depois o Barroso e o Sul-Americano, a fim de ganhar algum dinheiro.

Em 1929, jogou pelo Syrio e Libanez e, em 1930, Leônidas se transferiu para o Bonsucesso, onde ele deu início a sua semiprofissionalização ao assinar seu primeiro contrato No Bonsucesso, Leônidas também jogou basquete, tendo conquistado campeonato desta modalidade esportiva.

Após seu início pelo Bonsucesso, Leônidas migrou para o Peñarol do Uruguai em 1934, onde jogou muito pouco, prejudicado por lesões. Voltou ao Brasil para defender o Vasco da Gama e logo foi campeão carioca com o clube nesse mesmo ano. Transferiu-se para o Botafogo no ano seguinte e, campeão carioca mais uma vez, foi jogar pelo Flamengo. No rubro-negro de 1936 a 1941, conquistou outro Campeonato Carioca, o de 1939.

Em 1942, foi vestir a camisa do São Paulo, com ela conquistando cinco Campeonatos Paulistas até 1950. É um dos maiores ídolos da história do clube, tendo vivido lá sua melhor fase na carreira, ainda que a parte final dela.

Leônidas da Silva durante sua passagem pelo São Paulo | Créditos: Arquivo Histórico do São PauloLeônidas da Silva durante sua passagem pelo São Paulo | Créditos: Arquivo Histórico do São Paulo

E foi justamente nessa fase que, em função da Segunda Guerra Mundial, Leônidas da Silva foi impedido de jogar copas do mundo em seu auge e fosse mais conhecido. Disputou o torneio em 1934 e 1938, ano em que foi o artilheiro da competição. Com a camisa amarela, tem a incrível média de 1 gol por jogo, tendo disputado 37 partidas e anotado 37 gols.

Leônidas, o Diamante Negro

A Seleção Brasileira fez uma grande Copa do Mundo na França, em 1938, alcançando o terceiro lugar. Leônidas da Silva foi escolhido o melhor jogador daquela copa e, durante a disputa, recebeu de um jornalista francês o apelido de “Diamante Negro”.

Créditos: ReproduçãoCréditos: Reprodução

De volta ao Brasil, uma empresa se uniu ao atleta naquela que é conhecida como a primeira jogada de marketing da história do futebol: para lançar um chocolate, até hoje um dos mais comercializados no país, a imagem e o apelido do craque foram utilizados. Depois de abandonar os gramados, em 1951, ainda continuou ligado ao esporte. Foi dirigente do São Paulo, logo depois virou comentarista esportivo, sendo considerado por muitos um comentarista direto, duro e polêmico. Chegou a ganhar sete Troféus Roquette Pinto.

No entanto, sua carreira de radialista teve que ser interrompida em 1974 devido ao Mal de Alzheimer. Durante trinta anos ele viveu em uma casa para tratamento de idosos em São Paulo até falecer, em 24 de janeiro de 2004, por causa de complicações relacionadas à doença. Foi enterrado no Cemitério da Paz, em São Paulo.

Leia também: ‘Didi: o único técnico negro brasileiro em Copas nunca treinou o Brasil’

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