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O sample é uma matéria prima como o ouro, diz KL Jay

O DJ criou festival e exposição permanente para celebrar a importância dos samples na música contemporânea e o resgate de canções clássicas

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nataly Simões I Imagem: Jefferson Delgado

Imagem mostra KL Jay abaixado e com roupas brancas.

23 de abril de 2021

Com um acervo de 20 mil LPs e uma carreira de três décadas nas pickups, o DJ KL Jay é o criador do Festival Sample: do clássico ao original, que acontece de 23 a 28 de abril com vários eventos transmitidos ao vivo pela internet.

O sample é uma ‘amostra’, um trecho de uma música, que o DJ recorta, trabalha e cola em uma música nova. O cantor James Brown, ícone da música negra mundial, por exemplo, é um dos artistas mais sampleados do planeta, mas não é o único. A música brasileira, ritmos de matriz africana, samba e diversas outras vertentes musicais são fontes inesgotáveis de samples.

A proposta do KL Jay é mostrar, com muitos exemplos, de onde vem a matéria prima das músicas que fazem sucesso. “O sample é como o ouro. Você pega o ouro e faz um anel, faz um colar. A gente vai mostrar de onde é que veio. As pessoas, que são fãs de músicas, às vezes não sabem de onde saiu tal ideia”, afirma KL Jay, em entrevista à Alma Preta.

O festival será transmitido gratuitamente no site: www.klmusica.com.br/festivalsample. Os eventos começam a partir do meio-dia desta sexta-feira (23). A programação inclui oficinas, apresentações, podcast, discos raros e rodas de conversa. Além de uma exposição que ficará de forma permanente no site do DJ.

“Através do trabalho e estudo dos DJs, grandes músicas do passado foram resgatadas. No exterior é comum ter rádios que tocam músicas dos anos 60, 70 e 80. Aqui no Brasil, cabe a nós, os DJs, fazer esse trabalho de preservação”, explica o músico.

O evento tem co-curadoria de artistas como DJ Will, Mc Kamau, DJ Kalfani e do produtor Sem Grana. O vídeo de divulgação do evento tem como concepção a origem africana da música.

“O hip-hop surgiu na África. Os movimentos do break já estavam nas danças africanas, as rodas de conversas entre os africanos já era rap. O hip-hop é ancestral. O vídeo tem a imagem de uma pirâmide que representa o conhecimento e a conexão com o espaço e o universo”, destaca KL Jay.

O projeto que une informação, música boa e festa foi realizado com o incentivo do ProAC Lab Lei Aldir Blanc, pela secretaria estadual de Cultura de São Paulo.

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