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Parceria entre produtora de funk GR6 e Prefeitura de São Paulo é alvo de críticas

O prefeito de São PauRicardo Nunes (MDB) fechou um acordo com uma das maiores produtores do gênero para a inauguração de quadras esportivas reformadas com a presença de MCs famosos
A imagem mostra o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) e o presidente da GR6, uma das maiores produtoras de funk no Brasil.

Foto: Reprodução

2 de fevereiro de 2024

Uma parceria firmada entre a Prefeitura de São Paulo e a produtora de Funk GR6 foi alvo de críticas nas redes sociais.  A gestão municipal se uniu à empresa para uma parceria que envolve a inauguração de 40 quadras esportivas, que serão reformadas, em bairros da capital. A ideia é que MCs famosos participem do evento.

Para a produtora cultural e dançarina Renata Prado, o movimento Funk, enquanto cultura periférica, não pode ser negociado por empresários. “Existe uma oposição política dentro do Funk muito contrária a essa patifaria toda… e a gente tá reagindo! O Funk é um movimento cultural orgânico, o Funk não é um grupo empresarial. Ninguém tá de chapéu”, afirmou em publicação em rede social.

A colaboração foi anunciada pelas redes da GR6, após um encontro do prefeito Ricardo Nunes (MDB) com Rodrigo Oliveira, presidente da produtora, na quarta-feira (31). Segundo o site da Prefeitura de São Paulo, estiveram presentes na reunião os diretores da empresa e os secretários de Cultura, Esportes e Lazer, Subprefeituras e os chefes de gabinete Alex Peixe e Franz Felipe da Luz. 

Segundo a página, as 40 reformas serão feitas em comemoração aos 40 milhões de seguidores do canal da GR6.

Em outra publicação em rede social nesta sexta-feira (2), Renata ressalta que a iniciativa de Ricardo Nunes (MDB) pode ser configurada como lobby — quando indivíduos ou setores privados têm interesse em ações públicas e exercem atividades de influência velada com a intenção de interferir ou participar das decisões do poder público.

“Considerando que a reforma dessas quadras será paga, será investimento dos cofres públicos, podemos entender, então, que se trata de uma política pública. A construção de uma política pública — que nada mais é do que uma ação para o povo — paga com o dinheiro dos cofres públicos, precisa ser dialogada com pessoas do movimento funk (artistas, MCs, dançarinos, produtores musicais, produtores de baile funk, frequentadores de baile funk). Uma única empresa não representa o movimento”, explica, questionando em seguida quem serão os beneficiados pela parceria.

Ano eleitoral

Outros influenciadores acusam Ricardo Nunes  de usar o movimento Funk para promoção em ano eleitoral. O influenciador Thiago Torres, mais conhecido como Chavoso da USP, afirmou que a aproximação do presidente da GR6 com o prefeito “mostra como o Funk tem se tornado nada mais do que um produto a ser vendido, gerando lucro para grandes empresários. Rodrigo é um grande empresário, se aproximar assim da direita mostra como se afastou das suas raízes e agora está com mentalidade de burguês. Lamentável”, escreveu.

Renata Prado compartilhou em sua página uma publicação da administradora pública Thaynah Gutierrez, que explica a associação de políticos com movimentos que têm apelo sociocultural entre os jovens e  dentro das populações periféricas, em anos eleitorais. Thaynah reforça a importância do movimento Funk em se politizar.

“O papel de um prefeito é fazer a gestão de toda a cidade. Ele precisa mostrar quais são as políticas públicas de saúde,  educação, moradia, assistência social que ele está entregando. Mas na verdade não, ele quer fazer o jogo da velha política, entregando quadras com participação de MCs para enganar as pessoas que estão dentro dessas regiões”, diz em vídeo.

Tentativa de terceirizar a cultura 

Em janeiro de 2023, o prefeito Ricardo Nunes foi alvo de críticas entre artistas e políticos da oposição que o acusavam de tentar privatizar as Casas de Cultura espalhadas pela periferia do município. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Cultura, encabeçada por Aline Torres (MDB), propôs a transferência da gestão e manutenção da infraestrutura desses espaços para empresas privadas.


Manifestantes chegaram a comparecer em audiências públicas para reivindicar a não privatização das Casas de Cultura e a defender o aumento de orçamento para a cultura, com a alegação de que as Casas Culturais passavam por sucateamento proposital.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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