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Peças resgatadas do maior ataque de intolerância religiosa do Brasil podem ser tombadas este ano

Itens históricos ganharam o nome de "Coleção Perseverança" após episódio que ficou conhecido como Quebra de Xangô
A imagem mostra um capacete Adê utilizado em culto afro. O item faz parte da Coleção Perseverança do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas

Foto: Reprodução

5 de fevereiro de 2024

Um acervo raro de 216 peças, incluindo instrumentos musicais, indumentárias, estatuetas, insígnias e outros objetos sacralizados, pode ser tombado como patrimônio cultural brasileiro neste ano pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Os itens, todos de valor histórico e cultural, foram roubados durante o maior ataque na história do Brasil a religiões de matriz africana. O episódio, que ficou conhecido como “Quebra de Xangô”, ocorreu em cerca de 150 terreiros em Maceió e cidades vizinhas, durante a madrugada do dia 2 de fevereiro de 1912. 

Naquele dia, de acordo com informações do governo do Estado de Alagoas, um grupo que se intitulava Liga dos Republicanos Combatentes promoveu terror com invasões, vandalismo, espancamentos, prisões e ameaças aos praticantes do candomblé, umbanda e outros cultos, além de roubarem objetos sagrados.

As ações resultaram na morte da yalorixá Tia Marcelina, uma das figuras mais importantes das religiões de matriz africana em Alagoas. Também causaram o fechamento de diversos terreiros e a dispersão de ialorixás e babalorixás para outros estados, além do fim das expressões públicas das religiões. 

Aqueles que permaneceram no estado continuaram a prática dos cultos em segredo, sob uma intensa repressão. Em 2012, o governo de Alagoas emitiu um pedido oficial de desculpas pelo episódio.

Após sobreviver aos ataques, o conjunto de objetos ficou exposto no Museu da Sociedade Perseverança até 1950. Por esse motivo, a coleção de objetos ganhou o nome de Perseverança.

Depois disso, os itens foram transferidos para o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), onde permanecem até hoje. O primeiro inventário das peças foi feito apenas em 1985.

A partir do momento em que a coleção Perseverança for tombada pelo Iphan como patrimônio cultural brasileiro, o órgão será responsável pela preservação, conservação e estudo da historiografia desses bens. Outras medidas também devem ser tomadas para difundir o episódio de invisibilidade.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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