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Sete livros para entender por que o 13 de maio não é uma data a celebrar

Data marca a assinatura da Lei Áurea em 1888, que na prática não representou o fim da escravização de pessoas negras no Brasil
Imagem mostra a arte da obra “Torto Arado” (2019), de Itamar Vieira Junior.

Foto: Reprodução

13 de maio de 2024

O dia 13 de maio é conhecido como o marco nacional da abolição da escravidão no Brasil. A data relembra a concretização da Lei Áurea, que apesar de libertar os escravos em 1888, não caracterizou, de fato, o fim dos efeitos da escravização, por isso, deve ser vista de forma crítica.

Em entrevista à Alma Preta em 2022, a socióloga e professora Najara Costa explicou que a abolição de 1888 foi inconclusiva, pois não atendia às necessidades da população negra.

“É importante destacar que mesmo com o 13 de maio de 1888, não houve políticas para que a população negra ocupasse os espaços institucionais, pelo contrário, se consolidou no Brasil um projeto de embranquecimento da nação, inclusive com a vinda de imigrantes europeus para trabalhar nas indústrias”, apontou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, atualmente, a renda de trabalhadores brancos ainda é, em média, 75% maior que a de pessoas negras. Além disso, um total de 3.190 trabalhadores foi resgatado de condições análogas à escravidão no Brasil em 2023, divulgou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A assinatura da Lei Áurea foi um marco somente no papel. Na época, não houve esforços para integrar a população negra no Brasil e nem medidas para combater o racismo. Hoje, a data é sinônimo de luta contra o racismo pelo movimento negro.

Para entender melhor os efeitos do racismo que refletem a escravidão no Brasil, selecionamos cinco livros para estimular uma reflexão. Confira:

“Africanos livres: a abolição do tráfico de escravos no Brasil” (2017)

Nesta obra, Beatriz Mamigonian trata da abolição do tráfico de escravos no Brasil desde sua proibição em 1808 pela Grã-Bretanha e dos tratados que garantiram a liberdade dos africanos resgatados dos navios negreiros. A autora reescreve capítulos de história política e diplomática brasileira e incorpora à trama as experiências dos africanos livres e daqueles ilegalmente escravizados

“Um defeito de cor” (2006)

“Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, é narrado por Kehinde, que até os oito anos de idade vivia em Savalu, África. Após a morte da mãe e do irmão, ela, junto da avó e de Taiwo, sua irmã gêmea, viajam sem rumo e chegam a Uidá. Nessa cidade, as três são capturadas e jogadas em um navio negreiro com destino ao Brasil. Ao fim da viagem, Kehinde é a única sobrevivente da família.

“Rebeliões da Senzala” (2014)

A obra de Clóvis Moura foi a primeira na historiografia brasileira a tratar da questão das rebeliões negras de maneira sistemática, mostrando com fatos históricos como esse fenômeno se espalhou em todo o território brasileiro.

“Sociologia do Negro Brasileiro” (1998)

Também escrita por Clóvis Moura, nesta obra o autor critica um pensamento social submisso e estereotipado, que reflete a estrutura social do Brasil, revelando a ideologia na qual o racismo e a visão autoritária estão interligados.

“Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” (1960)

A obra de Carolina Maria de Jesus é um compilado de diários, escritos durante cinco anos, no qual a autora expõe o cotidiano de uma catadora de lixo da periferia de São Paulo, que lutava para alimentar seus filhos. O livro, que já chegou a fazer parte da lista de obras obrigatórias de diversos vestibulares, mostra como vive uma população que não foi alvo de política de reparação.

“Escravidão” (2019, 2021 e 2022)

“Escravidão” é uma obra em três volumes do escritor e jornalista Laurentino Gomes. O trabalho é considerado um dos mais recentes e impactantes sobre o tema, por conter uma rica pesquisa que exigiu viagens por doze países para explicar as raízes da escravidão humana na antiguidade, e as razões do tráfico de humanos para a América.

“Torto Arado” (2019)

O livro de Itamar Vieira Junior retrata um romance em que duas irmãs trocam de vozes, tendo como pano de fundo memórias coletivas e a descrição das desigualdades racial e de gênero. Na obra são pautadas religiões de matrizes africanas, as lendas, as crenças e a relação horizontal com a natureza.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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