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“Uma Leitura dos Búzios” apresentou questões do Brasil contemporâneo

Espetáculo idealizado pelo Sesc São Paulo ficou em cartaz durante quase três meses na capital paulista

Imagem: Alma Preta Jornalismo

Foto: Imagem: Alma Preta Jornalismo

17 de fevereiro de 2023

O espetáculo “Uma Leitura dos Búzios”, idealizado pelo Sesc São Paulo, levou ao público durante quase três meses — do dia 18 de novembro até 12 de fevereiro —, no Teatro Antunes Filho (Sesc Vila Mariana), os múltiplos olhares sobre as questões do Brasil contemporâneo, o racismo, a manipulação da história, a presença da mulher negra, e o diálogo com as raízes afro-brasileiras.

Até o final da temporada, segundo informações da assessoria de imprensa do Sesc SP, foram 49 apresentações, público de 10.175 pessoas, e 6 escolas convidadas, com a presença de 270 alunos. Seis sessões contaram com recurso de acessibilidade, incluindo Audiodescrição e Libras (língua brasileira de sinais).

Os 27 atores e três músicos de diferentes regiões do país colocaram em cena as gerações e trajetórias que reforçam a diversidade a partir de uma leitura do movimento político que aconteceu em Salvador (BA), em 1798, conhecido como Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates  —  inspirado nos ideais da Revolução Francesa (1789 – 1799) e na Revolta de São Domingos, atual Haiti (1791 – 1804).

O ator Júlio Silvério, que atuou no espetáculo, diz que leva como experiência a possibilidade de trazer a história do levante popular baiano com forte presença do povo preto para outro público. “O público é branco, então essa experiência de estar apontando isso para essa galera e como que dentro desse processo a gente traz os nossos para ouvir essa história que não está nos livros, que ainda não foi contada ainda”, detalha.

O espetáculo musical, coreográfico, videográfico e textual contou ainda com uma equipe técnica que reúne cerca de 100 profissionais e  encenação de Marcio Meirelles, colaboração de Cristina Castro e João Milet Meirelles,  texto de Monica Santana e coordenação de pesquisa de Gustavo Melo Cerqueira.

O diálogo com as religiões afro-brasileiras aparece em cena na direção musical de João Milet Meirelles, nos movimentos dirigidos por Cristina Castro e na presença da cantora Virgínia Rodrigues ao compor uma Mátria Brasil de origem Bantu. Márcio Meireles, encenador da peça, defende que “Uma Leitura dos Búzios” é um chamamento para a liberdade, independência, igualdade, decolonização e justiça.

Leia também: Espetáculo navega em questões do Brasil e proporciona experiência sonora e visual em SP

Aprovação do público

A jornalista e historiadora Nanda Rovere afirmou que saiu do espetáculo com o sentimento de esperança, “pelo menos a gente está com um pouquinho de esperança por um mundo melhor onde há respeito”. Ela ainda disse que o espetáculo é necessário para os dias atuais porque grita pela liberdade, justiça, respeito e igualdade de direitos.

“Eu acho que é uma aula de história para quem conhece um pouco, para quem não conhece nada e para quem conhece muito”, ressaltou o diretor de teatro, audiovisual e colunista cultural, Rodrigo Ferraz. Ele ainda disse que não daria para destacar apenas uma cena, mas todo o conjunto, já que a encenação se completa nela mesma.

O artista performer Fause Haten ficou impressionado com a experiência visual e sonora. “É uma experiência muito forte e para a gente que é branco, que tem um distanciamento da história. Não sentimos na pele”, pondera. Ele ainda destaca que é importante ouvir a história contada por pessoas pretas. “Super indico, assistir vale a pena”, recomenda.

O passado que reflete no presente

A peça teatral “Uma Leitura dos Búzios” foi ancorada no levante popular que ocorreu em 1798, como um estopim da crise socioeconômica que uma parcela significativa da população soteropolitana enfrentava no momento em que a Coroa Portuguesa mantinha seu poder político e econômico, donos de engenho e integrantes da alta burocracia da colônia prosperavam. A Revolta dos Búzios ou Conjuntura Baiana acontece em Salvador (BA), inspirado nos ideais da Revolução Francesa (1789 – 1799) e na Revolta de São Domingos, atual Haiti (1791 – 1804).

O levante popular ganhou o apoio das elites locais, insatisfeitas com o tratamento da Coroa Portuguesa, que observava no pacto colonial a possibilidade de aumentar os lucros, o poder econômico e político. Essa parcela da população começa a abandonar esse movimento quando ele passa a se popularizar e se radicalizar, tendo a participação de milicianos, artesãos e escravizados, que lutavam por liberdade, igualdade e justiça.

Alguns nomes que tiveram envolvimento na revolta ganharam destaque, como o médico Cipriano Barata e o tenente Aguilar Pantoja, além do envolvimento da população negra. E a violência contra os representantes das classes mais populares se deu de forma mais intensa, por conta da forte repressão do governo à época.

Entre as classes populares: Lucas Dantas (soldado), Manuel Faustino (aprendiz de alfaiate), Luiz Gonzaga das Virgens (soldado), João de Deus (mestre alfaiate) chegaram a ser presos, enforcados em praça pública e esquartejados. Luí Pires (ourives), outro acusado, nunca foi encontrado e não sofreu a pena máxima.

Leia também: ‘Uma Leitura dos Búzios’ traz diálogo com raízes afro-brasileiras

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