O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) divulgou um vídeo em suas redes sociais onde afirma que Ricardo Salles (PL-SP), deputado e relator da Comissão parlamentar de inquérito (CPI) contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), deveria abdicar do posto por ser réu em um processo.
O ex-ministro do Meio Ambiente virou réu na Justiça Federal do Pará este mês por suspeita de liderar uma organização criminosa de desvio de madeira.
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“O relator [da CPI contra o MST] não tem nenhuma moral, nenhuma condição de continuar relator. Um RÉUlator, como foi apelidado na internet. Ele não tem condições e nem moral para criminalizar e perseguir movimentos populares. Se ele tivesse um pouco de dignidade, ele se afastaria da relatoria para ir cuidar do caso dele”, disparou Assunção.
Para o deputado petista, as notícias sobre um possível pedido de indiciamento é um indicativo da perseguição aos movimentos populares já denunciada por deputados federais.
“Ele quer criminalizar movimentos populares e também os parlamentares que defendem a reforma agrária. Eu, enquanto deputado federal, não vou abaixar a cabeça para aqueles e aquelas que sempre quiseram abrir a porteira para passar a boiada; eu vou continuar com a minha missão, defendendo o MST, os quilombolas, defendendo os indígenas e os movimentos populares do Brasil”, completou o parlamentar baiano.
CPI investiga MST
Instalada na Câmara dos Deputados em maio após o registro de invasões de terra no sul da Bahia e em Goiás, em março, a CPI do MST conta com ao menos 15 pedidos de indiciamento, entre eles o do deputado federal Valmir Assunção.
De acordo com informações do jornal O Globo, Assunção é descrito no relatório final, que será apresentado na próxima semana por Ricardo Salles, como o líder do movimento na região e responsável por abusos contra os sem-terra, tais como expulsão de integrantes, queima de residências e trabalho sem remuneração.
Parlamentares aliados ao governo Lula também elaboram um relatório paralelo a ser apresentado, onde serão abordados supostos abusos cometidos pela CPI, como invasões de domicílios durante as diligências em assentamentos e violência de gênero na condução dos trabalhos, praticada por Salles e pelo também deputado federal Luciano Zucco (Republicanos-RS), que preside a comissão.