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Sem identificar suspeitos de ameaças a deputada negra, polícia decide retirar escolta

Deputada mineira Andréia de Jesus foi informada sobre a retirada da escolta que garantia sua segurança mesmo sem nenhum suspeito de ameaçá-la de morte ter sido identificado e julgado

Imagem mostra a deputada Andreia de Jesus com uma blusa vermelha e um turbante amarelo.

Foto: Foto: Divulgação

15 de março de 2022

Deputada de Minas Gerais, Andréia de Jesus (PSOL) foi informada pela Polícia Militar do estado e pela Polícia Legislativa que a partir desta sexta-feira (18) perderá sua escolta. A parlamentar exerce suas atividades de mandato acompanhada de agentes de segurança desde que recebeu ameaças de morte, em novembro do ano passado.

Na época, uma das mensagens de discurso de ódio recebidas pela parlamentar dizia que seu fim seria como o de Marielle Franco. O assassinato da vereadora carioca completou quatro anos esta semana e o crime segue impune. De acordo com o comunicado da polícia enviado à deputada mineira, um relatório de inteligência da corporação constatou que a escolta não é mais necessária porque ela não corre mais risco.

Andréia contestou a decisão da polícia afirmando que não apresenta qualquer dado que justifique a retirada da escolta. Segundo a deputada, o próprio relatório deixa claro que os autores das ameaças contra sua vida não foram encontrados pelo setor de inteligência ou não foram sequer identificados.

“Sem a garantia da nossa segurança é impossível ir aos lugares na qual devemos atuar”, afirma Andréia de Jesus, em entrevista à Alma Preta Jornalismo.

Violência política

Andréia está no último ano do seu primeiro mandato e, desde que foi eleita, em 2018, se comprometeu com uma agenda de defesa de direitos das populações mais vulneráveis do estado. Atualmente, ela lidera a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALEMG).

O aviso de encerramento da escolta chegou no momento em que outros suspeitos de crimes de ódio contra a deputada foram identificados pela Polícia Civil. O próximo passo é a convocação dos suspeitos, o que pode servir como gatilho para novas ameaças, novas manifestações de ódio ou condutas ainda mais graves, especialmente com a proximidade das eleições de 2022.

“A insegurança de viver com ameaças eu já convivo todos os dias, mas é importante lembrarmos que em períodos eleitorais também há um acirramento de ânimos e vemos comportamentos e grupos extremistas de direita crescendo no país. Esses grupos se organizam pelas redes, inclusive com ataques orquestrados, mas podem não se restringir a elas”, explica a parlamentar.

Na semana passada, a deputada sofreu uma nova tentativa de intimidação ao visitar uma comunidade quilombola no norte de Minas. A parlamentar relata que foi desrespeitada por funcionários de um fazendeiro da região e a escolta foi fundamental para garantir sua segurança.

“Eu me vi diante de capangas de empresários, que de forma extremamente agressiva me ofenderam e tentaram impedir minhas atividades como presidenta da Comissão de Direitos Humanos. Se eu não estivesse escoltada, minha integridade física estaria ainda mais ameaçada. Além disso, não sou só parlamentar, sou mãe, filha, irmã, ou seja, a falta de segurança afeta minha atuação como parlamentar, mas também afeta todos os que estão ao meu redor”, salienta a deputada estadual.

A Alma Preta Jornalismo procurou a Polícia Militar de Minas Gerais e a Assembleia Legislativa e questionou como foi feita a análise que concluiu que a deputada estadual Andréia de Jesus não corre mais riscos diante dos fatos expostos pela parlamentar.

Em nota, a Assembleia Legislativa não respondeu ao questionamento e disse para a reportagem acompanhar uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos marcada para o dia seguinte e com a participação de representantes das forças de segurança pública.

A Polícia Militar, por sua vez, disse que “sempre que há ameaça real comprovada à integridade de dignitários, a instituição pode, mediante acionamento da órgão competente, realizar a escolta individual.”. Sobre a escolta da deputada Andréia de Jesus, a assessoria de imprensa da coorporação reforçou que uma análise do Serviço de Inteligência “verificou que não havia mais motivações para a permanência da escolta em questão, tendo o policiamento sido remanejado para  o atendimento à população mineira.”.

Leia também: A caminho do último ano de mandato, deputadas negras falam dos desafios da legislatura

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