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“Seremos trincheira de luta em defesa da população negra”, diz Simone Nascimento

Jornalista, feminista negra e coordenadora nacional do MNU, Simone Nascimento é uma das co-deputadas eleitas pela Bancada Feminista do PSOL para a Alesp

Imagem: Divulgação/Victoria Alves

Foto: Imagem: Divulgação/Victoria Alves

17 de outubro de 2022

“Eu acredito que lutar é para a vida inteira. Eu escolhi o movimento negro para ser o lugar em que eu dedico a minha luta coletiva. Para além do PSOL, a minha militância vem a partir de uma perspectiva da luta antirracista no movimento negro organizado. Então não vejo como carreira, mas como contribuição na trajetória militante”. É o que destaca Simone Nascimento (PSOL), co-deputada eleita junto à Bancada Feminista com mais de 259 mil votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A jornalista, feminista negra e anticapitalista Simone Nascimento tem 30 anos e nasceu em Pirituba, periferia da zona norte da capital paulista. A militância está em sua trajetória desde a adolescência por meio da participação em grêmio estudantil, centro acadêmico universitário, coletivo negro e na direção da UNE (União Nacional dos Estudantes). Ela também é fundadora do movimento RUA – Juventude Anticapitalista.

Atualmente, a jornalista é da coordenação nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), entidade antirracista mais antiga do Brasil, criada nas escadarias do Theatro Municipal de São Paulo em 1978. Além disso, este ano ela fez parte do conselho político da campanha de Lula à presidência como representante do movimento negro.

“Estive na construção das Marchas da Consciência Negra, da Marcha das Mulheres Negras e de iniciativas do movimento negro nos últimos anos aqui no estado, como da ‘Campanha Tem Gente Com Fome’ da Coalizão Negra por Direitos. Então a minha vida política se dá em primeiro momento no âmbito da luta do movimento social e da luta por mudanças na vida a partir dos lugares onde eu pisei e piso por ser uma mulher negra da periferia”, explica.

Segundo Simone, a disputa institucional foi uma decisão coletiva a partir desses outros espaços em que já atuava. Em 2014, ela se filiou ao Partido Socialismo e Liberdade e passou a construir candidaturas de mulheres negras. Inspirada pela atuação política de pessoas como Marielle Franco e Lélia Gonzalez, passou a ver ela mesma como parte da disputa por mais mulheres negras na política institucional.

Em 2020, Simone disputou as eleições como candidata a vereadora na capital paulista com pautas de defesa do movimento negro e da juventude negra. Com quase dez mil votos, ficou como suplente. Neste ano, a eleição vitoriosa para a Alesp, sendo a terceira mais votada no estado, é acompanhada por mais quatro mulheres negras no mandato coletivo da Bancada Feminista: Paula Nunes, Carolina Iara, Mariana Souza e Sirlene Maciel. Todas se somarão a outras mulheres negras eleitas para a Alesp, como Leci Brandão, Ediane Maria, Monica do Movimento Pretas e Thainara Faria.

Bancada Feminista do PsolBancada Feminista do PSOL: (da esquerda para direita): Mariana, Simone, Paula, Carolina e Sirlene | Crédito: Divulgação/Danillo Batista

“A Bancada Feminista tem cinco mulheres negras diversas, o que mostra inclusive o quanto as mulheres negras podem representar muitas coisas ao mesmo tempo a partir de uma ocupação. Nos tornamos a candidatura de mulheres mais votada para Assembleia Legislativa no Brasil. A gente quer de fato fazer com que essa seja uma ocupação muito coletiva, muito presente nos territórios, nas cidades e nas lutas do dia a dia para que a gente possa ter um mandato que tenha uma função social importante”, comenta a co-deputada.

Leia mais: Bancada Feminista: “Mulheres negras contra o fascismo”

Fortalecimento do Movimento Negro Unificado

Em relação às perspectivas para o mandato na Alesp que se inicia em 2023, Simone pontua que ela e as outras mulheres da Bancada Feminista querem ser uma ferramenta de luta dentro da assembleia para a defesa e amplificação dos direitos de maneira transversal.

“Nós temos propostas para todas as áreas, não só na questão racial. Por exemplo, nós entendemos que debater violência contra as mulheres é debater a vida das mulheres negras. A gente também entende que incentivar a cultura periférica, as batalhas de rima, os slams e ter uma secretaria voltada para cultura que pense a destinação para aparelhos públicos de cultura e democratização do acesso à produção artística é algo que avança no combate ao racismo”, explica.

São diversas as propostas dentro de temáticas que atravessam de alguma maneira a população negra: soberania alimentar, restrição do uso de agrotóxicos, saúde, mobilidade urbana, valorização dos territórios quilombolas, regularização fundiária, enfrentamento da LGBTfobia, diversidade transversal na prevenção às infecções sexualmente transmissíveis, combate ao racismo ambiental, defesa das cotas raciais na graduação e pós-graduação e avanço nos parâmetros de igualdade e raça dentro do estado de São Paulo.

Simone em Cartas às BrasileirasSimone em evento Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito | Crédito: Divulgação

“A gente acha que isso é lutar pela vida do povo negro. Nós entendemos o movimento de mulheres negras e o movimento da negritude transversal a todas as pautas de direitos públicos. O nosso mandato vai ser uma trincheira de luta dentro da ALESP contra todo tipo de reforma antipopular, contra todo tipo de ataque à classe trabalhadora e, em especial, um mandato a serviço da defesa da vida da população negra e periférica no estado de São Paulo”, pontua.

Além disso, com relação ao MNU, Simone pretende fortalecer o movimento a nível estadual. “Pra além da capital, onde me dediquei muito nos últimos anos, tenho construído junto com militantes do resto do estado de São Paulo a construção e o fortalecimento do MNU em outras cidades também, ouvindo as necessidades da população negra e fazendo com que o MNU se estadualize cada vez mais, se fortaleça e a gente possa ser cada vez mais um movimento negro de referência. Somos militantes do movimento negro que agora ocuparam a Alesp, então vamos trazer muitas lutas de fora pra dentro”, destaca.

Simone também ressalta que a eleição de Haddad como governador do estado de São Paulo é a aposta para que haja avanços nas pautas que sua campanha acredita e luta.

“A gente tem feito muita campanha neste segundo turno para que a gente possa ter a eleição de um governador comprometido com a defesa dos direitos humanos, com o uso do orçamento de São Paulo, que é o maior da América Latina, a serviço do combate à pobreza, de ajudar aos que mais precisam e que tenha políticas públicas concretas de habitação, de saúde, de educação, de trabalho e renda”, finaliza.

Leia também: Eleição de militantes do MNU significa o direito por construir justiça no Brasil

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