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Site reúne maior acervo digital sobre comunidades quilombolas do Tocantins 

Com cartilhas, mapas, documentos disponíveis para download gratuito e fácil navegação, o site democratiza o acesso ao conhecimento
Imagem mostra comunidade quilombola no estado do Tocantins.

Foto: Reprodução/COEQTO

1 de dezembro de 2024

A Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO) lançou seu novo site institucional, que reúne 56 materiais produzidos ao longo dos 12 anos de atuação da organização. Este é o maior acervo digital sobre as comunidades quilombolas do estado, tornando-se uma ferramenta essencial para a preservação, divulgação e valorização da cultura quilombola.

Com cartilhas, mapas, documentos disponíveis para download gratuito e fácil navegação, o site democratiza o acesso ao conhecimento, beneficiando comunidades quilombolas, estudantes, pesquisadores e o público em geral.

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A iniciativa busca fortalecer a luta por direitos e promover a valorização cultural, conectando a memória coletiva das comunidades à sociedade, como explica o coordenador da COEQTO, Jorlando Ferreira Rocha, quilombola da comunidade Ilha de São Vicente.  

“É muito importante termos ferramentas como o site. Ele é um portal que amplifica a voz das comunidades quilombolas sem que dependamos exclusivamente da mídia externa. Com nossos próprios canais, podemos controlar o que é publicado, garantindo que as informações reflitam nossa realidade. Além disso, o novo formato do site, que inclui cartografias e outros recursos, tem sido um instrumento valioso na incidência política. Ele nos ajuda a acessar políticas públicas, cobrar respostas dos órgãos competentes e divulgar de forma transparente o que estamos fazendo e produzindo”, pontua.

Conexão entre gerações

Graziele Silva Souza, estudante do nono ano do ensino fundamental e moradora da comunidade Carrapiché, destaca a importância do acervo para o aprendizado escolar e a valorização das próprias raízes.

“Ter esse acervo de materiais da nossa comunidade facilita muito, porque não precisamos transportar documentos ou objetos para outros lugares, e tudo fica mais acessível. É incrível poder aprender sobre a cultura de outras comunidades e também mostrar a nossa. Enquanto estudante, usar esses materiais para pesquisas e trabalhos escolares é fundamental para valorizar e divulgar nossa história e cultura na escola”, relata. 

Antônio Pereira de Jesus, conhecido como Seu Piolho, também da comunidade Carrapiché, reforça o papel da tecnologia na preservação das histórias e na conexão entre as comunidades.

“Hoje, com o celular e as redes sociais, conseguimos buscar histórias diferentes e até encontrar parentes que sabemos que existem. Para mim, a tecnologia é um ponto de avanço, não só para nós, mas para todo o povo. Cada um tem um conhecimento único, e essa troca de informações emociona e fortalece. Às vezes, uma história que alguém compartilha de outra comunidade pode trazer uma conexão profunda com as nossas raízes e mexer com o nosso sentimento. Isso é o mais importante de verdade”, reforça. 

Imagem mostra um homem negro e quilombola olhando para um mapa.
Novo site da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins traz maior acervo das comunidades quilombolas do estado. Foto: Reprodução/COEQTO

Impacto acadêmico e científico

O acervo digital da COEQTO também é amplamente utilizado em estudos acadêmicos e científicos, sendo referência em pesquisas sobre a realidade quilombola no Tocantins.

Os materiais têm colaborado para ampliar a divulgação dos saberes locais, superando a perspectiva eurocêntrica predominante e fortalecendo a presença de narrativas próprias no meio acadêmico.

História e construção do acervo

A construção desse acervo teve início em 2012, com a parceria do projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. O primeiro trabalho foi realizado em 2013, na Ilha de São Vicente, com o apoio de pesquisadores. Desde então, em colaboração com a APA-TO (Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins), a COEQTO produziu uma série de materiais como mapas, cartografias sociais e planos de gestão territorial.

O acervo reúne 26 arquivos que incluem 22 mapas, cartografias de 15 comunidades, planos de gestão territorial de pito comunidades, nove cartilhas, protocolos de consulta e um atlas dos territórios quilombolas do Tocantins, totalizando 56 produções. O lançamento do novo site contou com a parceria do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza), por meio do Projeto Prosas (Promoção de Saberes em Comunicação Estratégica).

  • Redação

    A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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