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Adeptos a religiões de matriz africana triplicam no Brasil; negros são maioria

Novos dados do IBGE revelam crescimento de expressões religiosas negras e maior presença de pretos e pardos em tradições afro-brasileiras
Celebração ao Dia de Iemanjá, prática de matriz africana, na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro.

Celebração ao Dia de Iemanjá, prática de matriz africana, na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

6 de junho de 2025

Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (6), revelam que os adeptos a religiões de matriz africana mais que triplicaram desde 2010. A Umbanda e o Candomblé, que somavam cerca de 588,7 mil pessoas (0,3%) em 2010, passaram para aproximadamente 1,8 milhão de pessoas (1%) da população com dez anos de idade ou mais em 2022.

Esse crescimento ocorre em um cenário de revalorização das tradições de matriz africana, especialmente entre as populações negras (pretas e pardas). Os dados mostram que, entre os adeptos de religiões de matriz africana, 33,2% se declaram pardos, 23,2% se declaram pretos e 42,9% se identificam como brancos. Pretos e pardos, somados, compõem 56,4% do total de seguidores dessas religiões.

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A porcentagem de representação reforça a centralidade da população negra no cultivo e preservação das religiões afro-brasileiras, sobretudo quando considerada em conjunto (pretos e pardos), mesmo diante da significativa presença branca.

Religiosidade negra também cresce entre evangélicos e sem religião

Entre os evangélicos, a população negra forma o grupo majoritário, com 61,1% dos fiéis. Os pardos representam 49,1% e os pretos, 12%. Entre os que se declaram sem religião, os negros também representam proporção maior que a média da população: 59,3%, sendo 45,1% de pardos e 14,2% pretos.

Já no catolicismo, os negros são maioria mas em proporção menor do que o da população total, de 55%. São 53,3% de negros católicos, sendo 44% pardos e 9,3% pretos, e 45,9% de brancos. 

O espiritismo mantém uma base majoritariamente branca (63,7%), com menor presença reduzida de negros: são 26,3% de pardos e 9% de pretos.

Diversidade religiosa e novos perfis educacionais

A elevação do número de adeptos das religiões afro-brasileiras também acompanha melhorias nos indicadores educacionais. A taxa de analfabetismo entre praticantes de Umbanda e Candomblé é de 2,4% — inferior à média nacional (7%) e menor que entre católicos (7,8%) e evangélicos (5,4%).

A maior parte dos praticantes das religiões de matriz africana completou o ensino fundamental (14,7%) ou o ensino médio (39,92%), com 25,5% tendo acesso ao ensino superior completo.

Sudeste e Sul concentram maior proporção de adeptos a religiões afro

As regiões com maior percentual de pessoas que se identificam com religiões de matriz africana são o Sul (1,6%) e o Sudeste (1,4%). O estado com maior proporção de seguidores é o Rio Grande do Sul, com 3,2% da população adepta de Umbanda e Candomblé.

Apesar de o Nordeste contar com forte presença histórica de terreiros e casas de axé, a autodeclaração religiosa nesses estados aparece em proporção menor no Censo. 

Especialistas indicam que isso pode estar relacionado ao medo da intolerância religiosa e à associação entre ancestralidade e religiosidade que nem sempre se traduz em pertencimento formal a uma religião.

Crescimento aponta para reconhecimento e afirmação identitária

A ampliação das religiões de matriz africana representa um movimento de afirmação das tradições negras no campo da espiritualidade, marcado pela valorização de saberes ancestrais, fortalecimento das casas de axé e resistência à intolerância religiosa.

“As transformações sociais têm resultado em modificações na metodologia do Censo ao longo de todas essas décadas. Códigos, banco descritor, estrutura classificatória e incorporação de novas declarações religiosas foram sendo necessários para retratar a diversidade religiosa no Brasil da forma mais fidedigna possível”, afirma em nota Maria Goreth Santos, analista do IBGE.

Este texto foi atualizado em 9 de junho de 2025, às 17h20, para correção das informações relativas à proporção racial entre os adeptos das religiões de matriz africana.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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