Quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, em 1958, o mundo conheceu Pelé. Mas antes de o jovem atacante se transformar no principal símbolo daquela seleção, outro jogador já exercia papel central dentro da equipe, Waldir Pereira, mais conhecido como Didi.
Líder em campo e responsável pela organização do time, o meio-campista foi um dos protagonistas da campanha que garantiu ao Brasil seu primeiro título mundial.
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Nascido em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Waldyr Pereira ficou conhecido nacional e internacionalmente como Didi. Considerado um dos grandes articuladores do futebol brasileiro, ele chegou à Copa da Suécia aos 29 anos como um dos atletas mais experientes do elenco comandado por Vicente Feola.
Naquele momento, o Brasil ainda carregava o peso da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950, no Maracanã. A seleção buscava seu primeiro título mundial e depositava em jogadores como Didi a responsabilidade de conduzir uma geração que misturava experiência e juventude.
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Didi atuava como organizador do meio-campo. Era dele a tarefa de controlar o ritmo das partidas, distribuir passes e conectar defesa e ataque. Sua capacidade de leitura de jogo o transformou em uma das referências técnicas da equipe.
Na campanha da Copa de 1958, o Brasil contou com nomes que entrariam para a história, como Pelé, Garrincha, Vavá e Zagallo. Ainda assim, Didi exerceu função central na engrenagem do time.
A importância do camisa 6 ficou evidente ao longo do torneio. Ele participou da construção das jogadas ofensivas e ajudou a dar equilíbrio à equipe em momentos de pressão. O desempenho lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo, reconhecimento concedido após a conquista do título.
O episódio que marcou a final
A imagem mais conhecida da trajetória de Didi na Copa de 1958 surgiu na decisão contra a Suécia.
Jogando em casa, os suecos abriram o placar logo aos quatro minutos de partida. O gol trouxe à memória o trauma brasileiro de 1950 e criou um ambiente de tensão entre os jogadores.
Foi nesse momento que Didi protagonizou uma cena que se tornou parte da história do futebol brasileiro. Em vez de buscar a bola rapidamente para reiniciar a partida, ele caminhou até o gol, pegou a bola com calma e retornou ao meio-campo em ritmo lento.
Anos depois, diversos relatos de companheiros apontaram que a atitude teve o objetivo de tranquilizar a equipe e evitar que o nervosismo tomasse conta do time. O gesto ajudou a reorganizar emocionalmente os jogadores diante da pressão da final.
A resposta veio em campo. Ainda no primeiro tempo, Vavá marcou duas vezes e colocou o Brasil em vantagem. Na etapa final, Pelé anotou dois gols, Zagallo fez outro, e a seleção venceu por 5 a 2 para conquistar seu primeiro título mundial.
Reconhecimento dentro e fora do Brasil
Além do destaque na Copa de 1958, Didi construiu uma carreira marcada por passagens por clubes como Fluminense, Botafogo, onde dividiu vestiário com Garrincha, Zagallo e Nilton Santos. Também jogou no Real Madrid ao lado de Di Stéfano, Puskás e Gento.
Foi também o criador da “folha seca”, cobrança de falta que se tornou uma de suas marcas registradas. O recurso ajudou a consolidar sua reputação como um dos jogadores mais influentes de sua geração.
Após pendurar as chuteiras, se tornou técnico. À frente da seleção peruana em 1970, classificou o país para seu primeiro Mundial desde 1930. O Peru eliminou a Argentina na Bombonera. No México, o time de Teófilo Cubillas chegou às quartas de final, onde perdeu para o Brasil por 4 a 2.
“Didi nos deu confiança. Ele sabia como falar com a gente, como nos posicionar. Era um técnico que transmitia calma e inteligência. Aprendi muito com ele”, relembrou Cubillas.
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Texto com informações da Federação Internacional de Futebol (FIFA).