PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Governo reforça direito ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de estupro

A resolução da Conanda reforça o direito de crianças e adolescentes não serem submetidas à gravidez forçada
A imagem mostra uma pessoa atrás de uma porta de vidro.

A imagem mostra uma pessoa atrás de uma porta de vidro.

— Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

20 de junho de 2025

O governo federal publicou, na última quarta-feira (18), uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que garante o direito ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

No Brasil, a legislação permite o aborto legal apenas em gestações ocasionadas por estupro, que apresentem risco à vida da pessoa gestante, ou em casos de fetos diagnosticados com anencefalia. Não há limite de tempo estabelecido para realizar o procedimento.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Além disso, todas as gestações de crianças de até 14 anos são consideradas decorrentes de estupro, uma vez que esta é a idade legal para consentir relações sexuais.

A resolução nº 265/2025 do Conanda, órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), estabelece a Política Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, com um plano de responsabilidades para a União, estados e municípios.


O documento compila garantias contra a gravidez forçada, com ênfase no direito à interrupção legal da gestação, ao atendimento de saúde digno, ao acesso à informação, à educação sexual e ao respeito à diversidade de gênero, raça e orientação sexual.

A medida reconhece expressamente o direito de acesso à interrupção legal da gestação por crianças e adolescentes vítimas de abuso, garantindo o direito de não serem submetidas à gravidez forçada.

Conforme determina a resolução, as instituições de ensino públicas e privadas deverão oferecer informações sobre direitos reprodutivos e sexuais nas escolas, bem como promover a igualdade racial e a equidade de gênero.

Segundo a Associação de Obstetrícia de Rondônia (Assogiro), em 2023, cerca de 14 mil meninas vítimas de violência, com idade de dez a 14 anos, tiveram filhos no Brasil. O relatório, divulgado em maio, destaca que apenas 1,1% tiveram acesso ao aborto legal.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano