As mulheres pardas são responsáveis por 51,6% dos nascimentos no Brasil, embora representem 46,8% da população feminina em idade reprodutiva, de 15 a 49 anos.
Os dados são do Censo Demográfico 2022 e foram divulgados nesta sexta (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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As pretas, que são 10,6% do grupo de mulheres, corresponderam a 10,8% dos partos. E as brancas, que compõem 41,7% das mulheres nessa faixa etária, geraram 36,1% dos nascidos vivos — para calcular a fecundidade, não são contados os bebês natimortos.
População tende a diminuir
A Taxa de Fecundidade Total (TFT) do país ficou em 1,55 filho por mulher. Essa medida é uma síntese que representa o número médio de filhos que as mulheres vão ter até o final de seu período reprodutivo considerando cada faixa etária.
Em todos os recorte raciais, essa taxa está abaixo do que se chama de “nível de reposição”, que seria de 2,1 filhos por mulher.
O nível de reposição é a TFT necessária para que uma população mantenha seu tamanho estável ao longo do tempo, sem crescer nem diminuir, desconsiderando migrações. Ou seja, a população brasileira tende a diminuir ao longo do tempo.
As pardas registraram a maior TFT (1,68 filhos por mulher), seguidas pelas pretas (1,53) e brancas (1,35).
O IBGE retirou da apresentação desses resultados preliminares análises sobre indígenas e amarelas, categorias que representam, juntas, 1,5% dos nascimentos.
Segundo o órgão de pesquisa, elas não foram incluídas na análise principal devido a especificidades metodológicas.
Mulheres sem filhos
A pesquisa aponta que aumentou a proporção de mulheres entre 50 e 59 anos, ou seja, já fora da idade reprodutiva, que não têm filhos. Em 2010, eram 11,8%. Nesse último Censo, são 16,1% de mulheres nessa faixa etária sem filhos.
As pretas têm a maior proporção de mulheres sem filhos nessa faixa etária, com 17,2%. Entre as brancas, esse percentual é de 16,7% e, entre as pardas, 15,1% não tem filhos.
Diferenças no perfil reprodutivo
Como em edições anteriores da pesquisa, pretas e pardas têm seus filhos em idades mais jovens do que as brancas.
Metade das mulheres negras têm seus primeiros filhos quando têm entre 20 e 29 anos, e a idade média é de 27,6 anos para pardas e 27,8 para pretas. No caso das brancas, metade delas se torna mãe quando elas têm entre 25 e 34 anos, com idade média de maternidade mais alta, de 29 anos.
Segundo o relatório do IBGE, o adiamento da maternidade está associado a fatores como maior escolaridade, inserção no mercado de trabalho e acesso a contraceptivos. O percentual de mulheres sem filhos também cresceu, especialmente no período 2010-2022.