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População em unidades de conservação supera 11 milhões e saneamento é crítico

Censo do IBGE mostra que 40% dos moradores de áreas protegidas enfrentam precariedade no saneamento básico; indígenas e quilombolas são os mais afetados
Ilha do Combú, banhada pelo Rio Guamá. Área de Proteção Ambiental (APA) e destino turístico amazônico na região insular de Belém.

Ilha do Combú, banhada pelo Rio Guamá. Área de Proteção Ambiental (APA) e destino turístico amazônico na região insular de Belém.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

12 de julho de 2025

Mais de 11,8 milhões de pessoas vivem em Unidades de Conservação (UCs) no Brasil, segundo os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  O contingente representa 5,82% da população do país e está concentrado quase totalmente (98,73%) em áreas de uso sustentável, como áreas de proteção ambiental e reservas extrativistas. As áreas de proteção integral, que proíbem a ocupação direta, abrigam uma parcela muito menor de habitantes.

A maior parte dessa população se identifica como parda (51,12%), seguida por pessoas brancas (35,82%) e pretas (11,92%). Indígenas representam 1,12% e quilombolas, 2,39%. No Norte, o predomínio de pessoas pardas nas UCs chega a 71,68%. Já Bahia, Amapá e Sergipe concentram os maiores percentuais de pessoas pretas vivendo nessas áreas.

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A presença de povos tradicionais é especialmente significativa. No caso da população indígena, 132.804 pessoas vivem em UCs, a maioria em zonas rurais. Quase metade está concentrada na Bahia e no Amazonas. O Parque Nacional do Pico da Neblina (AM), o Monte Pascoal (BA) e a Serra do Aracá (AM) são os principais territórios de proteção integral com alta presença indígena.

Já os quilombolas estão principalmente no Maranhão e na Bahia, que reúnem mais de 82% desse grupo. Cerca de 69,3% dos quilombolas em UCs vivem em áreas rurais, patamar superior à média nacional desse grupo (61,7%).

Condições de vida e infraestrutura

A precariedade em saneamento básico afeta 40,3% dos moradores de UCs, índice superior ao da população geral do país (27,3%). Entre os indígenas, essa proporção sobe para 59,9%, e entre os quilombolas, chega a 85,9%. Mais de 856 mil pessoas (7,3% dos residentes em UCs) vivem sem abastecimento adequado de água, coleta de lixo e esgoto sanitário.

O acesso a banheiro ou sanitário também é desigual. Mais de 46 mil domicílios em UCs não possuem nenhum dos dois. Nas áreas de proteção integral, o percentual de domicílios sem banheiro chega a 4,9%, abrigando 8.968 pessoas.

Em relação à educação, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais que vivem em UCs é de 8,84%, acima da média nacional de 7%. Segundo o IBGE, a taxa é ainda mais baixa entre brancos e mais alta entre populações tradicionais, mesmo sem grandes variações entre quem vive dentro ou fora dessas áreas.

Distribuição e gestão das unidades de conservação

As áreas de proteção ambiental concentram 97,1% da população residente em UCs, com mais de 11,4 milhões de pessoas. As reservas extrativistas somam 122 mil residentes, e outras categorias como florestas, reservas de desenvolvimento sustentável e áreas de relevante interesse ecológico têm populações menores.

O Nordeste e o Sudeste concentram 74% da população em UCs. Em números absolutos, São Paulo lidera, com 2,48 milhões de pessoas. Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro também aparecem entre os estados com maior número de moradores em áreas protegidas.

Do total de domicílios em UCs, 78,7% estão em áreas urbanas. No entanto, a região Norte tem o menor percentual de moradores em áreas urbanas (53,15%), com destaque para Rondônia, Amapá e Acre, onde a maioria vive em zonas rurais.

A gestão dessas unidades é majoritariamente estadual, com 66,5% dos moradores vivendo em UCs sob responsabilidade dos estados. A esfera federal responde por 20,8% da população em UCs, e os municípios por 10,9%. Estados como São Paulo, Maranhão e Bahia concentram o maior número de pessoas em UCs estaduais.

Os dados estão disponíveis no portal do IBGE e em plataformas como o SIDRA, o Panorama do Censo e a Plataforma Geográfica Interativa (PGI), que também trazem visualizações por mapas interativos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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