Mais de 11,8 milhões de pessoas vivem em Unidades de Conservação (UCs) no Brasil, segundo os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente representa 5,82% da população do país e está concentrado quase totalmente (98,73%) em áreas de uso sustentável, como áreas de proteção ambiental e reservas extrativistas. As áreas de proteção integral, que proíbem a ocupação direta, abrigam uma parcela muito menor de habitantes.
A maior parte dessa população se identifica como parda (51,12%), seguida por pessoas brancas (35,82%) e pretas (11,92%). Indígenas representam 1,12% e quilombolas, 2,39%. No Norte, o predomínio de pessoas pardas nas UCs chega a 71,68%. Já Bahia, Amapá e Sergipe concentram os maiores percentuais de pessoas pretas vivendo nessas áreas.
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A presença de povos tradicionais é especialmente significativa. No caso da população indígena, 132.804 pessoas vivem em UCs, a maioria em zonas rurais. Quase metade está concentrada na Bahia e no Amazonas. O Parque Nacional do Pico da Neblina (AM), o Monte Pascoal (BA) e a Serra do Aracá (AM) são os principais territórios de proteção integral com alta presença indígena.
Já os quilombolas estão principalmente no Maranhão e na Bahia, que reúnem mais de 82% desse grupo. Cerca de 69,3% dos quilombolas em UCs vivem em áreas rurais, patamar superior à média nacional desse grupo (61,7%).
Condições de vida e infraestrutura
A precariedade em saneamento básico afeta 40,3% dos moradores de UCs, índice superior ao da população geral do país (27,3%). Entre os indígenas, essa proporção sobe para 59,9%, e entre os quilombolas, chega a 85,9%. Mais de 856 mil pessoas (7,3% dos residentes em UCs) vivem sem abastecimento adequado de água, coleta de lixo e esgoto sanitário.
O acesso a banheiro ou sanitário também é desigual. Mais de 46 mil domicílios em UCs não possuem nenhum dos dois. Nas áreas de proteção integral, o percentual de domicílios sem banheiro chega a 4,9%, abrigando 8.968 pessoas.
Em relação à educação, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais que vivem em UCs é de 8,84%, acima da média nacional de 7%. Segundo o IBGE, a taxa é ainda mais baixa entre brancos e mais alta entre populações tradicionais, mesmo sem grandes variações entre quem vive dentro ou fora dessas áreas.
Distribuição e gestão das unidades de conservação
As áreas de proteção ambiental concentram 97,1% da população residente em UCs, com mais de 11,4 milhões de pessoas. As reservas extrativistas somam 122 mil residentes, e outras categorias como florestas, reservas de desenvolvimento sustentável e áreas de relevante interesse ecológico têm populações menores.
O Nordeste e o Sudeste concentram 74% da população em UCs. Em números absolutos, São Paulo lidera, com 2,48 milhões de pessoas. Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro também aparecem entre os estados com maior número de moradores em áreas protegidas.
Do total de domicílios em UCs, 78,7% estão em áreas urbanas. No entanto, a região Norte tem o menor percentual de moradores em áreas urbanas (53,15%), com destaque para Rondônia, Amapá e Acre, onde a maioria vive em zonas rurais.
A gestão dessas unidades é majoritariamente estadual, com 66,5% dos moradores vivendo em UCs sob responsabilidade dos estados. A esfera federal responde por 20,8% da população em UCs, e os municípios por 10,9%. Estados como São Paulo, Maranhão e Bahia concentram o maior número de pessoas em UCs estaduais.
Os dados estão disponíveis no portal do IBGE e em plataformas como o SIDRA, o Panorama do Censo e a Plataforma Geográfica Interativa (PGI), que também trazem visualizações por mapas interativos.