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Justiça determina conclusão da regularização de quilombo em Goiás após 17 anos de omissões

Sentença obriga União a concluir processo de titulação das terras quilombolas e reconhece racismo estrutural contra a comunidade do Quilombo Mesquita
A imagem mostra um malhete de juiz e uma estátua da Justiça.

A imagem mostra um malhete de juiz e uma estátua da Justiça.

— Reprodução / Freepik

15 de julho de 2025

A Justiça Federal determinou a conclusão do processo de regularização fundiária da comunidade quilombola Mesquita, localizada no município de Cidade Ocidental (GO). A decisão finaliza a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2008.

Com quase 300 anos de história, a comunidade do Quilombo Mesquita se originou de uma doação de terras a três mulheres negras alforriadas. Atualmente, cerca de 700 famílias vivem no local, dedicando-se à agricultura familiar e à preservação de tradições como a produção de marmelada.

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O MPF apontou a omissão do Estado na titulação das terras quilombolas. De acordo com o órgão, a região é alvo de intensa especulação imobiliária e disputas territoriais, com ataques violentos e invasões.

O órgão classificou a morosidade do Estado na regularização como uma “campanha de apagamento”, que teria contado com a participação de autoridades e agentes públicos de Luziânia (GO). 

O Ministério Público ressalta que a atuação do Estado reforçou o racismo estrutural e institucional contra o grupo. 

A decisão da Vara Federal de Luziânia (GO) estipula prazo máximo de 12 meses para a titulação das terras e 30 dias para a publicação da portaria de reconhecimento da comunidade. 

O parecer também determina que a conclusão da análise fundiária deve ser realizada em cinco meses, com risco de multa diária de R$ 20 mil para o descumprimento de qualquer um dos prazos. 

O procurador da república José Ricardo Teixeira Alves, responsável pelo caso, afirma que a sentença representa um marco no processo de reconhecimento e efetivação dos direitos da comunidade quilombola Mesquita.

“O grupo vem sofrendo há anos por práticas negacionistas e omissões das instituições encarregadas de protegê-lo. Essas condutas foram anunciadas e denunciadas por técnicos e peritos nos autos da ação civil pública, indicando um grave quadro de racismo estrutural provindo tanto de setores da esfera pública quanto da privada”, afirmou Alves em trecho do processo. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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