A 5ª cerimônia da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) foi realizada na segunda-feira (21), no Salão Nobre da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital fluminense, com a posse de novos membros e a reafirmação da literatura como instrumento de liberdade e transformação social. Com os novos empossados, a ABLC passa a contar com 27 cadeiras ocupadas por homens e mulheres que ressignificam o cárcere como espaço de criação e reflexão crítica.
A cerimônia contou com representantes de diversos estados, como Rio de Janeiro, Acre, São Paulo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Brasília. Um dos destaques do evento foi a participação da Organização AfroReggae, representada por sua diretora social, Karla Soares.
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Na solenidade, ela apresentou a atuação da Agência Segunda Chance, iniciativa voltada à empregabilidade e acolhimento de egressos. “Trabalhar com egressos é olhar para além da pena. É apostar na reconstrução de vidas e na reparação de histórias”, afirmou Karla em comunicado a imprensa.
As trajetórias dos novos acadêmicos como Nei da Conceição Cruz evidenciaram essa transformação. Ocupando a cadeira nº 22, cujo patrono é Carlos Marighella, Nei, após cumprir duas décadas detido, é atualmente formado em teologia, com pós-graduação em cinema e MBA em direção de arte, fala quatro idiomas e atua em projetos que unem cultura, justiça social e representatividade. No meio artístico teve o apoio de José Júnior, fundador do AfroReggae, e participou como consultor da série Arcanjo Renegado (Globoplay), além de integrar a produção de novos episódios.
Outra história destacada entre os novos membros é a de Robson Francisco de Oliveira, fundador do podcast ‘01 Sobreviventes”, que assumiu a cadeira nº 25, tendo como patrono Frei Tito. Robson usa sua trajetória como ferramenta de educação e prevenção à violência entre jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo palestras e rodas de escuta em diferentes territórios.
Também fundador do !01 Sobreviventes!, Alexandre Mendes, egresso do sistema prisional, participou da cerimônia e agora ocupa a cadeira nº 21. Criado na comunidade da Mangueira e conhecido no cárcere como “Polegar”, ele compartilhou sua experiência de superação e transformação por meio da arte.
Fundada em 2023 por iniciativa do desembargador aposentado Ciro Darlan, com apoio de advogados, educadores e representantes da sociedade civil, a ABLC visa incentivar a leitura e a produção literária entre pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. O projeto é considerado referência nacional em reintegração social.