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Novos integrantes tomam posse na Academia Brasileira de Letras do Cárcere no Rio

Cerimônia celebrou novos 27 empossados e a potência da escrita como ferramenta de liberdade e transformação no sistema prisional
Cerimônia de posse da Academia Brasileira de Lettas do Cárcere (ABLC) no Rio de Janeiro em 22 de julho, 2025.

Cerimônia de posse da Academia Brasileira de Lettas do Cárcere (ABLC) no Rio de Janeiro em 22 de julho, 2025.

— Divulgação/AfroReggae

26 de julho de 2025

A 5ª cerimônia da Academia Brasileira de Letras do Cárcere (ABLC) foi realizada na segunda-feira (21), no Salão Nobre da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na capital fluminense, com a posse de novos membros e a reafirmação da literatura como instrumento de liberdade e transformação social. Com os novos empossados, a ABLC passa a contar com 27 cadeiras ocupadas por homens e mulheres que ressignificam o cárcere como espaço de criação e reflexão crítica.

A cerimônia contou com representantes de diversos estados, como Rio de Janeiro, Acre, São Paulo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Brasília. Um dos destaques do evento foi a participação da Organização AfroReggae, representada por sua diretora social, Karla Soares. 

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Na solenidade, ela apresentou a atuação da Agência Segunda Chance, iniciativa voltada à empregabilidade e acolhimento de egressos. “Trabalhar com egressos é olhar para além da pena. É apostar na reconstrução de vidas e na reparação de histórias”, afirmou Karla em comunicado a imprensa.

As trajetórias dos novos acadêmicos como  Nei da Conceição Cruz evidenciaram essa transformação. Ocupando a cadeira nº 22, cujo patrono é Carlos Marighella, Nei, após cumprir duas décadas detido, é atualmente formado em teologia, com pós-graduação em cinema e MBA em direção de arte, fala quatro idiomas e atua em projetos que unem cultura, justiça social e representatividade. No meio artístico teve o apoio de José Júnior, fundador do AfroReggae, e participou como consultor da série Arcanjo Renegado (Globoplay), além de integrar a produção de novos episódios.

Outra história destacada entre os novos membros é a de Robson Francisco de Oliveira, fundador do podcast ‘01 Sobreviventes”, que assumiu a cadeira nº 25, tendo como patrono Frei Tito. Robson usa sua trajetória como ferramenta de educação e prevenção à violência entre jovens em situação de vulnerabilidade, promovendo palestras e rodas de escuta em diferentes territórios.

Também fundador do !01 Sobreviventes!, Alexandre Mendes, egresso do sistema prisional, participou da cerimônia e agora ocupa a cadeira nº 21. Criado na comunidade da Mangueira e conhecido no cárcere como “Polegar”, ele compartilhou sua experiência de superação e transformação por meio da arte.

Fundada em 2023 por iniciativa do desembargador aposentado Ciro Darlan, com apoio de advogados, educadores e representantes da sociedade civil, a ABLC visa incentivar a leitura e a produção literária entre pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. O projeto é considerado referência nacional em reintegração social.

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  • Thayná Santana

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