A Polícia Rodoviária Federal (PRF) pretende adquirir máscaras de proteção que cobrem integralmente o rosto e dificultam a identificação dos agentes. O modelo referido pelo edital destaca que os dispositivos possuem lentes escuras que, segundo a fabricante, oferecem “vantagem psicológica”.
A informação foi divulgada pela Ponte Jornalismo, que ouviu especialistas e analisou os documentos da licitação. De acordo com a reportagem, o material será destinado ao Grupo de Resposta Rápida (GRR) e à Unidade de Choque Nacional (UCN), ambos envolvidos em casos de chacina policial.
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O edital do pregão eletrônico nº 90021/2025 prevê o custo estimado de R$ 15,1 mil por unidade, totalizando o valor de R$ 2,35 milhões. As 150 máscaras referenciadas no edital são do britânico FM54, utilizado por forças militares.
Cada máscara é acompanhada de quatro tipos de lentes sobrepostas à viseira: Clear (transparente), Laser, Breach e Sunlight, sendo as últimas três em tonalidade que impede a visualização dos olhos. No modelo Sunlight, a fabricante destaca a garantia de “vantagem psicológica” por cobrir completamente a região dos olhos.
Grupos envolvidos nas maiores chacinas da PRF receberão o equipamento
Segundo a reportagem, um dos grupos da PRF que receberá o material esteve presente em ações policiais violentas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, que resultaram em um número elevado de óbitos.
Entre 2021 e 2022, o Grupo de Resposta Rápida (GRR) esteve envolvido nas chacinas policiais no município mineiro de Varginha e em Vila Cruzeiro, comunidade na capital fluminense. Ambas as ocorrências somaram ao menos 49 mortes.
Em 31 de outubro de 2021, agentes da PRF participaram de uma ação conjunta com o Bope da Polícia Militar de Minas Gerais. Eles invadiram duas chácaras onde, segundo a corporação, estariam escondidos integrantes de uma quadrilha de assalto a bancos. Vinte e seis pessoas foram mortas.
Sete meses depois, o GRR participou da segunda maior chacina da história do Rio de Janeiro, durante uma ação no Complexo da Penha. A PRF, com o apoio do Bope da PM do Rio, abriu fogo contra suspeitos de tráfico.
À época, uma reportagem da Piauí apresentou um estudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), que identificou que as vítimas foram executadas. Foram registrados mais de mil disparos e ao menos 23 pessoas morreram.