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PRF quer comprar máscaras que inibem identificação de policiais

Equipamento será distribuído a unidades de elite da PRF envolvidas em chacinas e pode custar mais de R$ 2 milhões; informação foi divulgada pela Ponte Jornalismo
A imagem mostra uma pessoa com roupas militares vestindo a máscara FM54, da Avon Protection.

A imagem mostra uma pessoa com roupas militares vestindo a máscara FM54, da Avon Protection.

— Reprodução/Avon Protection

1 de agosto de 2025

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) pretende adquirir máscaras de proteção que cobrem integralmente o rosto e dificultam a identificação dos agentes. O modelo referido pelo edital destaca que os dispositivos possuem lentes escuras que, segundo a fabricante, oferecem “vantagem psicológica”. 

A informação foi divulgada pela Ponte Jornalismo, que ouviu especialistas e analisou os documentos da licitação. De acordo com a reportagem, o material será destinado ao Grupo de Resposta Rápida (GRR) e à Unidade de Choque Nacional (UCN), ambos envolvidos em casos de chacina policial.

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O edital do pregão eletrônico nº 90021/2025 prevê o custo estimado de R$ 15,1 mil por unidade, totalizando o valor de R$ 2,35 milhões. As 150 máscaras referenciadas no edital são do britânico FM54, utilizado por forças militares. 

Cada máscara é acompanhada de quatro tipos de lentes sobrepostas à viseira: Clear (transparente), Laser, Breach e Sunlight, sendo as últimas três em tonalidade que impede a visualização dos olhos. No modelo Sunlight, a fabricante destaca a garantia de “vantagem psicológica” por cobrir completamente a região dos olhos. 

Grupos envolvidos nas maiores chacinas da PRF receberão o equipamento

Segundo a reportagem, um dos grupos da PRF que receberá o material esteve presente em ações policiais violentas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, que resultaram em um número elevado de óbitos. 

Entre 2021 e 2022, o Grupo de Resposta Rápida (GRR) esteve envolvido nas chacinas policiais no município mineiro de Varginha e em Vila Cruzeiro, comunidade na capital fluminense. Ambas as ocorrências somaram ao menos 49 mortes. 

Em 31 de outubro de 2021, agentes da PRF participaram de uma ação conjunta com o Bope da Polícia Militar de Minas Gerais. Eles invadiram duas chácaras onde, segundo a corporação, estariam escondidos integrantes de uma quadrilha de assalto a bancos. Vinte e seis pessoas foram mortas.

Sete meses depois, o GRR participou da segunda maior chacina da história do Rio de Janeiro, durante uma ação no Complexo da Penha.  A PRF, com o apoio do Bope da PM do Rio, abriu fogo contra suspeitos de tráfico.
À época, uma reportagem da Piauí apresentou um estudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), que identificou que as vítimas foram executadas. Foram registrados mais de mil disparos e ao menos 23 pessoas morreram.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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