PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Taís Araújo reflete sobre ausência de personagens negros em papéis de ascensão nas novelas

A atriz Taís Araújo.

A atriz Taís Araújo.

— Reprodução/Instagram

28 de agosto de 2025

A atriz Taís Araújo compartilhou, em entrevista à revista Quem, sua frustração com a falta de trajetórias de ascensão para personagens negros nas novelas brasileiras.

A artista interpreta Raquel Acioli no remake de “Vale Tudo”, considerado como um clássico da TV Globo. Originalmente, a protagonista, que integra o núcleo principal da trama, tinha uma trajetória de crescimento notável. Com o trabalho de cozinheira e empresária, a mulher emerge socialmente e consegue criar um restaurante, conquistando sucesso e dinheiro.  

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

No entanto, a nova versão da novela, escrita por Manuela Dias, optou por alterar os rumos do roteiro e dar um desfecho alternativo para ela. Após sofrer racismo e um golpe da vilã Odete Roitman, Raquel é forçada a fechar sua empresa e voltar a trabalhar como ambulante na praia. 

À revista Quem, Taís Araújo lamentou que a experiência de sua personagem não compartilhe da mesma ascensão social que a Raquel da primeira versão, interpretada pela Regina Duarte. 

“Gostaria muito mesmo que a batalha que ela tivesse, o conflito em si, fosse de outra ordem. Conflitos éticos com Odete, por exemplo. E aí quando não tem, a gente tem que lidar com o que tem. E o que tem é isso”, destaca.

Para Taís, é urgente produzir histórias de personagens negros com conflitos que não sejam o de sobrevivência, para que o espectador, sobretudo o espectador negro, possa se enxergar no sucesso.

“Quando peguei a Raquel para fazer, falei: ‘Cara, a narrativa dessa mulher é a cara do Brasil. E ela vai ter uma ascensão social a partir do trabalho. Vai ser linda e ela vai ascender e permanecer’. Isso vai ser uma narrativa muito nova do que a gente vê sobre representação da mulher negra na teledramaturgia brasileira”, contou a artista. 

A mudança gerou grande repercussão no público, que questionou a falta de representações positivas de pessoas negras. Nas redes sociais, espectadores recordaram que não é a primeira vez que Dias causa o mesmo tipo de retrocesso no caminho de personagens negros. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano