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Flamengo é processado por racismo estrutural; ação pede R$ 100 milhões de indenização

Ação judicial descreve "abismo significativo" entre a utilização comercial da imagem de pessoas negras e as políticas permanentes de combate à discriminação
A imagem mostra uma camisa do Flamengo.

A imagem mostra uma camisa do Flamengo.

— Reprodução/Paula Reis/Flamengo

4 de setembro de 2025

A Educafro ajuizou em 27 de agosto uma ação civil pública contra o Flamengo por racismo institucional e estrutural. A ação aponta o histórico de exclusão de negros no clube e pede a adoção de medidas de combate ao racismo, além de uma indenização de R$ 100 milhões como reparação.

O documento da ação, ao qual a Alma Preta teve acesso, descreve um “abismo significativo” entre a utilização comercial da imagem de pessoas negras e periféricas, que compõem a maioria da torcida rubro-negra, e as políticas permanentes de combate à discriminação. 

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“O Flamengo usufrui do afeto e da paixão dessa massa, mas não retribui com políticas públicas de inclusão ou com a promoção de lideranças negras em seus quadros”, diz trecho do processo. 

A ação também destaca episódios de falas preconceituosas feitas pelo diretor da base do Flamengo, Alfredo Almeida. 

“Em julho de 2025, Alfredo Almeida, cidadão português e diretor da base do Flamengo, proferiu declarações de cunho flagrantemente discriminatório, afirmando que ‘a África tem valências físicas’ enquanto ‘se quisermos ir para a parte mental está em outras zonas da Europa, do globo’.”.

A suposta omissão diante de episódios de racismo e a falta de implementação de cotas raciais em cargos de diretoria também são apontadas pela ação.

Em entrevista à Alma Preta, o fundador da Educafro, David Raimundo dos Santos, recorda que este não é um caso isolado e que a entidade já levou à Justiça denúncias de racismo, como no episódio envolvendo Vinícius Jr. na Espanha.

“Esta não é a primeira ação de racismo no esporte. Processamos a federação espanhola no caso do racismo com o Vini Jr. O debate ultrapassa as quatro linhas do campo. Estamos falando de racismo nas estruturas de poder e da mensagem superficial que os dirigentes estão passando para a sociedade”, aponta. 

Para Santos, o caso atual deve ser compreendido como reflexo de uma questão racial mais ampla, a permanência do racismo em espaços de decisão e liderança no esporte.

“Estamos falando de racismo nas estruturas de poder e da mensagem superficial que os dirigentes estão passando para a sociedade”, complementa. 

Indenização deve ser destinada a projetos para a população negra

A entidade pede que o valor da indenização fique sob a administração do Ministério Público para ser destinado a projetos direcionados à população negra no Brasil. Além do pagamento, a ação pede que o Flamengo seja sentenciado a implementar, no prazo de 90 dias, políticas institucionais permanentes de combate ao racismo. 

As políticas devem incluir criação de comissão de igualdade racial com participação da sociedade civil; adoção de cotas raciais em cargos de direção e liderança; programas contínuos de educação antirracista para dirigentes, funcionários e atletas; campanhas públicas de combate ao racismo; democratização do acesso aos jogos e outras medidas.

Segundo David Santos, o processo representa um marco transformador nas dinâmicas entre as instituições esportivas e seu público, com a devida valorização da participação de pessoas negras. 

“Então a gente entende que esta ação vai mudar para sempre, a relação dos clubes com os torcedores, respeitando mais os torcedores, especialmente os torcedores afro-brasileiros”, pontuou.

Santos defendeu que a ação também é um processo pedagógico para transmitir novos conhecimentos e oportunidades para as comunidades organizadas de torcidas, do movimento das mulheres e do movimento negro. 

“Nós entendemos que onde houver ofensas de direitos, o que falta é a comunidade agir com determinação, garra e capacidade técnica. A gente está agora oferecendo a capacidade técnica, inclusive com esse modelo de ação que pode ser usado livremente por quem quiser”, concluiu.

A reportagem solicitou um parecer oficial ao Flamengo sobre o processo, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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