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Mais de 40% dos jovens negros não conseguem cuidar da saúde mental, revela levantamento

Estudo sobre bem-estar corporativo revela que a desigualdade racial afeta o autocuidado e o descanso, com mulheres e a juventude negra entre os grupos mais vulneráveis à sobrecarga
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— Reprodução/Freepik

1 de dezembro de 2025

A desigualdade racial no cuidado emocional da juventude brasileira aparece em dados revelados na nova edição do “Check-up de Bem-Estar 2025”, pesquisa conduzida pela Vidalink com 11.600 trabalhadores de 250 empresas de grande porte. 

O levantamento aponta que 42% dos jovens pretos e pardos entre 18 e 28 anos não realizam qualquer prática de cuidado com a saúde mental, enquanto 29% dos jovens brancos também não acessam nenhum suporte. A diferença de 13 pontos percentuais confirma um padrão estrutural no país.

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Segundo a Vidalink, empresa especializada em bem-estar corporativo, essa desigualdade aparece na base das condições de vida. O CEO da empresa, Luis Gonzalez, afirma que aspectos sociais e econômicos moldam o acesso a terapias, tempo livre e recursos desde a infância, o que cria barreiras persistentes na vida adulta.

Entre trabalhadores de todas as idades, o cenário repete a mesma lógica: 36% das pessoas pretas e pardas dizem não ter qualquer prática de cuidado emocional; entre os brancos, são 24%.

As mulheres negras estão entre os grupos com maior vulnerabilidade: 35% não realizam nenhuma ação de cuidado, contra 22% das mulheres brancas. Entre os homens, 36% dos pretos e pardos não têm acesso ao cuidado emocional, frente a 27% dos brancos.

As desigualdades também se refletem na satisfação com a própria saúde física. Apenas 27% das pessoas negras avaliam positivamente sua saúde física, ante 35% das pessoas brancas.

Rotinas mais sobrecarregadas entre os jovens negros

A rotina laboral confirma a diferença de condições de vida. Entre os jovens da Geração Z, 23% dos pretos e pardos vivem dupla jornada entre trabalho e tarefas domésticas; entre os brancos, o índice é de 16%. No recorte entre estudo e trabalho, 31% dos brancos conciliam as duas responsabilidades, enquanto o percentual é de 26% entre pretos e pardos.

A Geração Z é o grupo de pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2010, conhecidas como “nativos digitais” por terem crescido com a tecnologia desde o nascimento.

A desigualdade pesa ainda mais sobre mulheres negras: 26% acumulam trabalho e cuidados domésticos, contra 19% das brancas. Entre os homens, a diferença também aparece: 19% dos pretos e pardos e 10% dos brancos vivem com dupla jornada.

O estudo mostra que a desigualdade racial impacta inclusive o descanso. 30% das pessoas pretas e pardas afirmam estar insatisfeitas com a qualidade do sono, contra 25% das pessoas brancas.

Entre mulheres negras, o percentual chega a 35%, dez pontos acima das mulheres brancas. Na Geração Z, 35% dos jovens negros relatam insatisfação com o sono; entre os brancos, 27%.

O recorte mais crítico aparece entre mulheres jovens negras: 37% avaliam negativamente o sono, contra 25% das brancas.

Chamado para políticas de equidade no ambiente corporativo

Para os especialistas, os dados reforçam a necessidade de que políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) nas empresas considerem o acesso desigual ao cuidado. 

“Fazer esses recortes é fundamental para compreender que há discrepâncias reais. As estratégias de DEI devem considerar que não há apenas uma necessidade de inclusão. O avanço acontece quando tratamos as diferenças com equidade”, explica Lina Nakata, consultora em Gestão de Pessoas e DEI.

Luis Gonzalez, da Vidalink, conclui que “bem-estar também é uma pauta de equidade, a partir de uma visão holística que considere os diferentes pontos de vista dos colaboradores. É preciso desenhar estratégias que reduzam desigualdades estruturais, em vez de oferecer os mesmos benefícios para realidades que são profundamente diferentes”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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