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Estudo expõe vulnerabilidade de mulheres negras no SUS da Baixada Fluminense

Levantamento identifica falhas de acesso à Atenção Primária e aponta racismo institucional na rede de saúde
Uma Clínica da Família em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

Uma Clínica da Família em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

— Reprodução/Prefeitura de Nova Iguaçu

6 de dezembro de 2025

O coletivo Filhos nos Braços do Pai e o Instituto Maria Luz, organizações parceira da ONG Criola no projeto Saúde das Mulheres Negras, apresentaram, nesta sexta-feira (5), o “Diagnóstico Territorial da Saúde das Mulheres Negras da Baixada”, documento que analisa as barreiras no acesso à Atenção Primária, exames e procedimentos essenciais no município de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

A Atenção Primária à Saúde (APS) é o primeiro nível de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), que atua na promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e manutenção da saúde. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Clínicas da Família, por exemplo, integram essa categoria de atendimento.

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O estudo analisou o atendimento das Clínicas da Família nos bairros periféricos Ponto Chic e KM 32, na Baixada Fluminense. Ambos os territórios são compostos majoritariamente por pessoas negras. 

No Ponto Chic, cerca de 75% das mulheres negras relataram ter extrema dificuldade para agendar exames e consultas. Outras 55% citam longas filas de espera, o que, segundo a pesquisa, indica uma disfunção estrutural da APS.

“Mesmo quando o agendamento é feito, a estrutura física e a organização do fluxo de atendimento estão sobrecarregadas, desrespeitando o tempo do usuário”, diz trecho do documento. 

A ONG Criola aponta que o levantamento expõe um contexto de racismo institucional, no qual 35% das mulheres se sentem negligenciadas e 10% relatam racismo ou preconceito explícito.

No KM 32, 87,5% da população prioritária atendida pela Clínica da Família é mulher, negra e em extrema vulnerabilidade. Destas, 42,5% sentem-se desrespeitadas ou ignoradas ao utilizar a atenção prioritária à saúde. Ao menos 65% das mulheres enfrentam falta ou demora na marcação de exames.

Como conclusão do estudo, a organização recomenda a implementação de treinamento obrigatório em acolhimento humanizado e letramento antirracista para toda a equipe de saúde e a instituição de um Plano de Ação Corretivo para resolver a dificuldade de agendamento de consultas e outras medidas. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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